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Do Inverno à Primavera

Quando soube que íamos mesmo nos mudar comecei a conversar com amigos e conhecidos que já tinham morado fora. Uma delas me disse: “Que delícia! Vocês vão poder aproveitar as 4 estações: a neve no inverno, as flores na primavera, o calor no verão e as folhas vermelhas no outono”. Confesso que na hora não entendi muito bem o que ela quis dizer, afinal, poxa, nós também temos 4 estações no Brasil, eu pensei! Chegamos aqui uma semana antes do Thanksgiving, era Outono, mas a maioria da árvores já estavam sem as folhas, se preparando para a neve, a paisagem…

O (re)começo

Ele: Amor, estão me sondando para uma posição no Peru. Eu: Oi?? Foi a minha primeira reação, seguida de outras não tão positivas e muito menos otimistas. “Como assim “Peru”???”. Conhecia histórias de expatriados que deixavam o Brasil para experimentar novas experiências de trabalho e de vida em países como Estados Unidos (a maioria), Canadá, qualquer país da Europa ou até China….mas….Peru? “Como seria a vida lá?”, “O que tem naquele país além de ruínas incas?”, “E a pobreza, a violência, os terremotos, como seria conviver com isso?” Muitas perguntas invadiram a minha cabeça com toda a incerteza da vontade…

A escola de cada um

  Semana passada, Rosane Marinho postou um texto aqui no blog que me fez pensar a semana toda e por isso resolvi contar um pouquinho sobre a aventura de escolher a escola das crianças. Em Portugal, como na Espanha, existem algumas boas escolas públicas. Escolas que inclusive pessoas com boas condições de renda se formaram e seguem colocando seus filhos. Mas com a realidade da crise financeira, conseguir vagas parece que virou um privilégio de fulano que conhece beltrano. E, como este não é o nosso caso, recorremos desde o princípio, às escolas privadas. Assim que soubemos que viríamos para…

Hola, que tal?

Quando pequena acreditava que seria veterinária. Cresci e desenvolvi também outra paixão além dos animais: a comunicação. Escrita ou falada, eu queria mesmo era me expressar e sempre dizer aos outros o que pensava.  Era inconformada, desde pequena. Nas vésperas de me inscrever no vestibular, decidi que prestaria veterinária e jornalismo. Dependendo do resultado, tomaria a decisão. No pacote foi também uma terceira alternativa: o Direito. Mas essa não por paixão, afinal sempre tive bode de pessoas muita corretinhas. Prestei mesmo de tanto que falavam que como eu era briguenta seria uma boa advogada. “Vai quê estavam certos que seria…

Estamos em casa

Livros, bilhetes, cartas, desenhos, objetos, fotografias. Guardo tudo e tenho muitos. Havia a opção de deixar no Brasil as nossas memórias e receber um dinheiro para comprar novas aqui, ou trazer tudo num container via marítima e não receber o dinheiro. Ficamos tentados a recomeçar com tudo novo, mas… e os bilhetes, cartas, desenhos, objetos, fotografias? Memórias não estão à venda. Despachei a casa em outubro, e desde então, acampamos. Durante o período, gostei de ver os armários meio vazios, tudo mais organizado e me perguntei por que acumular tanta coisa. Ontem o caminhão chegou e desembrulhei nosso passado. Senti…

Quando e como ensinar a hora do ponto final

Dezembro, apresentação de fim de ano do balé. Começa a pequena homenagem para as alunas que estão saindo da escola. Helena, 3 anos, cai em prantos. Levo alguns bons minutos para conseguir ficar num canto com ela e descobrir o motivo da tristeza. “Não quero que nada mude, mamãe”. Consegui contornar a situação, explicar que elas iam para outra escola muito legal e saímos dali. Mas o não-quero-que-nada-mude seguiu aparecendo nessas últimas semanas. Uma hora pedindo para que o pai não fique velho ao ver fios brancos na barba dele, outra vez negando que vá mudar para uma escola maior…

O deus da mudança

Me chamo Beatriz, mas sou conhecida como Bia ou, para os mais íntimos, sou passarinho, apelido que recebi do meu marido pelos meus traços retos, mas principalmente pela cabeça aérea e os olhos perdidos no horizonte.  Sou paulista e desde que me conheço por gente sou regida pelo eterno deus da mudança. Tenho 36 anos e embora tenha me mudado cedo para os EUA, foi no Brasil, no circuito Rio de Janeiro, Santos e São Paulo que fiz e refiz o meu ninho quase 20 vezes. Com a gravidez do Bento, hoje com quase 6 anos, resolvi voltar para onde…