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As confusões do bilinguismo.

Ontem eu estava revendo um dos vídeos do Mães em Rede e vi os filhos (lindos e fofos) da Rosane conversando com ela em espanhol e ela sempre falando em português, e percebi o quão interessante, engraçado, complicado e desafiador pode ser essa experiência do bilinguismo. Já tive inseguranças sobre o assunto, mas hoje estou um pouco mais tranquila. O Noah demorou pra falar de um jeito que a gente entendia, vendo vídeos antigos dele, percebi que muita coisa eu não entendia porque ele falava em inglês. Ele ainda com seus 4 anos e meio fala o português super errado,…

Endereço incompleto

Comum aqui é voltar pra casa no verão. O novo comum. Porque nunca chamei julho de verão. Nem tenho mais casa no Brasil. Se em “casa” as apresentações vem seguidas das amizades que se tem em comum, ou referências ao trabalho, a ordem aqui é o país de origem e o tempo de moradia. Me cansa o protocolo, a repetição, mas não vejo saída. Junto da nacionalidade de alguém vem a forma como você a cumprimentará dali em diante, a interpretação caricata de sua família, cultura, educação e o pacote. Na metade do ano seus “novos velhos amigos de infância”…

Same shit.

Antônia chora porque perdeu o par ou ímpar. João chora porque quer dormir na minha cama. Eu choro de cansaço. Pedro chora escondido Cuca grita pra chorar Marília chora de saudade Carlos chora com jazz. Regina chora com carinho. Tarsis chora e sai de fininho. Gabriela chora pela filha. A filha chora por ela. Cada lágrima…

Vida Real

Ahh sim… No Brasil a gente frequentava restaurantes caros, eu usava roupas bacanas, fazia a unha toda semana, cortava o cabelo num salão beeem caro. Vivíamos ali, na corda bamba, sempre “despindo um santo pra cobrir o outro”, como diz a minha mãe. Não me importo com esses apertos, porque considero a vida curta e dela precisamos aproveitar ao máximo, mesmo que isso signifique parcelar tudo em muitas vezes, ou fazer um empréstimo de vez em quando. Vivia assim e nada mudou depois da maternidade. Dinheiro era “A” questão, mas sempre pintava mais trabalho e mais dinheiro que na maioria das vezes…

“És um senhor tão bonito/quanto a cara do meu filho/ tempo tempo tempo tempo”

Tenho um amigo que lá nos anos noventa, me disse que um dia estaria em Cannes. Resposta inesperada, em que ele pareceu pretensioso, grande e ao mesmo tempo corajoso e encantador. Naquele instante, me lembro bem, eu era um palito de fósforo, que queima rápido demais. Vivendo o presente do indicativo, sempre. Perdi o contato com esse amigo durante um tempo, mas sabia notícias por um e outro, pelas redes sociais. Semanas atrás, dei a ele os parabéns porque será júri no Festival de Cannes. Conseguiu o que queria desde quando não era “grande”. Pois e eu? Eu queria voar. Tinha e…

Estamos L.I.V.R.E.S

Ali naquela esquina dei um beijo na boca.No Parque Nacional da Sub-sede, meu pai me levava para fotografar a luz entre as árvores.Pulava o muro da Avenida Maracanã para matar aula aos treze anos.Meu primeiro estágio foi aqui, na Rua João de Barros… e tinha um casarão no lugar deste edifício…Na Casa de Saúde São José, morreu meu avô e nasceram os dois filhos.E aqui? Quanto tempo leva para que hajam novas esquinas, outros muros, uma nova memória registrada? Três meses se passaram desde que chegamos e esses dias passaram como um raio. Tanto a resolver, assentar, observar, entender, que…

Estamos em casa

Livros, bilhetes, cartas, desenhos, objetos, fotografias. Guardo tudo e tenho muitos. Havia a opção de deixar no Brasil as nossas memórias e receber um dinheiro para comprar novas aqui, ou trazer tudo num container via marítima e não receber o dinheiro. Ficamos tentados a recomeçar com tudo novo, mas… e os bilhetes, cartas, desenhos, objetos, fotografias? Memórias não estão à venda. Despachei a casa em outubro, e desde então, acampamos. Durante o período, gostei de ver os armários meio vazios, tudo mais organizado e me perguntei por que acumular tanta coisa. Ontem o caminhão chegou e desembrulhei nosso passado. Senti…

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

  Para mim não tem SERÁ. Vivo no presente do indicativo, sem saudade do meu pretérito perfeito. Fiz, está feito.Meu sujeito é oculto determinado: “Gosto de ser independente.”Quando nos mudamos, mês passado, tinha certeza que juntos daríamos conta do recado. JUNTOS. Esta semana, somos só eu e as crianças. Elas, cumprindo com suas tarefas, alegres a fazer a cama, limpar o cocô da Cuca e colaborando como podem. Eu, fazendo o que cabe nas manhãs sem me privar do combustível que alimenta as tardes onde volto a ser criança e exercito a imaginação brincando até a hora de preparar o…

Becoming Sinead…

Quando tive o anúncio de que nosso desejo de picar a mula do Brasil fora realizado em Dubai, minha cara deve ter sido de puro espanto. Naquela hora, gostaria de ter nos olhos a função do iphone que vira a câmera do outro lado pra tirar foto de si próprio. Numa fração de segundo, neurônios estalando aqui dentro e pensei: “Parque Lage/Teresópolis/Natureza/Ar livre/Hippie /Desapego/nada disso, SOCORRO VAMOS MORAR NO BARRA SHOPPING!????” Isso não se confirmou depois que viemos para uma visita rápida em setembro para reconhecimento e análise daquele que seria nosso novo lar. Exceto pela sauna com 4 meses…

João-Ninguém

A nova escola das crianças é construtivista, bilíngue e internacional. Isso quer dizer que o currículo permite que em seguida, mudem tanto para as britânicas quanto para as americanas. Estamos encantados com a metodologia, o ambiente e o carinho onde João e Antônia são tratados pelo nome desde a recepcionista até a enfermeira. Assim que chegamos foi necessário que ele fizesse uma prova para entrar na escola britânica escolhida e ele, naturalmente, não passou. A vivência de 2 meses de inglês do Brasil e sua timidez diante de tantas novidades, não foram suficientes para tanta expectativa. O ano termina em…