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Nosso Ceilão

A escolha do destino para as férias aqui em casa sempre passa pelo filtro inicial que descarta uma série de destinos prováveis. É preciso haver natureza, um certo descompromisso e estranheza, aventura. Esta peneira filtra as capitais e nos leva ao interior, ou a países exóticos que talvez jamais visitássemos se não fossem tão perto daqui. Esse primeiro parágrafo me parece um tanto vencido para publicar no blog em setembro, peço desculpas. Ainda assim, não pude deixar passar em branco a experiência deste verão. Ao Ceilão que trataram de mudar o nome para Sri-Lanka, fomos todos. Na mala levei a…

Endereço incompleto

Comum aqui é voltar pra casa no verão. O novo comum. Porque nunca chamei julho de verão. Nem tenho mais casa no Brasil. Se em “casa” as apresentações vem seguidas das amizades que se tem em comum, ou referências ao trabalho, a ordem aqui é o país de origem e o tempo de moradia. Me cansa o protocolo, a repetição, mas não vejo saída. Junto da nacionalidade de alguém vem a forma como você a cumprimentará dali em diante, a interpretação caricata de sua família, cultura, educação e o pacote. Na metade do ano seus “novos velhos amigos de infância”…

Hiato

Di-a Pa-ís Idei-a. Quantos hiatos cabem em quinhentos e trinta e dois dias vividos aqui? Quanto neste país cabe de mim? Me falta ideia. O ano da chegada é embaçado na montanha que se desmonta diariamente em caixotes para desfazer. É de reconhecer semelhanças com o que era familiar antes. É de procurar azeite Borges,…

Same shit.

Antônia chora porque perdeu o par ou ímpar. João chora porque quer dormir na minha cama. Eu choro de cansaço. Pedro chora escondido Cuca grita pra chorar Marília chora de saudade Carlos chora com jazz. Regina chora com carinho. Tarsis chora e sai de fininho. Gabriela chora pela filha. A filha chora por ela. Cada lágrima…

Vida Real

Ahh sim… No Brasil a gente frequentava restaurantes caros, eu usava roupas bacanas, fazia a unha toda semana, cortava o cabelo num salão beeem caro. Vivíamos ali, na corda bamba, sempre “despindo um santo pra cobrir o outro”, como diz a minha mãe. Não me importo com esses apertos, porque considero a vida curta e dela precisamos aproveitar ao máximo, mesmo que isso signifique parcelar tudo em muitas vezes, ou fazer um empréstimo de vez em quando. Vivia assim e nada mudou depois da maternidade. Dinheiro era “A” questão, mas sempre pintava mais trabalho e mais dinheiro que na maioria das vezes…

Becoming Sinead…

Quando tive o anúncio de que nosso desejo de picar a mula do Brasil fora realizado em Dubai, minha cara deve ter sido de puro espanto. Naquela hora, gostaria de ter nos olhos a função do iphone que vira a câmera do outro lado pra tirar foto de si próprio. Numa fração de segundo, neurônios estalando aqui dentro e pensei: “Parque Lage/Teresópolis/Natureza/Ar livre/Hippie /Desapego/nada disso, SOCORRO VAMOS MORAR NO BARRA SHOPPING!????” Isso não se confirmou depois que viemos para uma visita rápida em setembro para reconhecimento e análise daquele que seria nosso novo lar. Exceto pela sauna com 4 meses…

Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá…

6:00h Despertador6:15 Vestir as crianças6:20 Ligar a cafeteira, conferir o cardápio, tirar o peixe do freezer7:0… Conferir a mochila,”Mãe meu ovo está quente…”. Colocar a comida pra Cuca, passar o remédio na pata, João, limpa o cocô no jardim, “Mãe cadê meu bichinho?”, “Pedro, quer café?”. Tomou a vitamina C?…..”Bom dia meu filho, boa aula filha, vão com Deus. Pedro, vc vem jantar? beijo miúdo. Porta fechada. Uma montanha de roupa. Novelos de poeira rolando que nem feno pela sala.Sol dourado. Dez minutos de meditação on line no jardim.Corrida. Palavras apressadas no trajeto. “Volta pra casa, vai colocar roupa na máquina.…