WhatsApp outra Vez

Aconteceu de novo. Amiga conta que, no grupo de WhatasApp da escola da filha, um pai, destes muito organizados, decidiu tomar as rédeas sobre como deveria ser a festa de Halloween da criançada. Mandou uma mensagem com toda a programação fechada sem perguntar para ninguém. A tal amiga não gostou das imposições, escreveu uma mensagem falando mal do dito pai, em privado, para uma outra amiga. Mas errou. Em vez de mandar a mensagem para a pessoa específica, mandou para todo o grupo da escola. Percebeu rápido o erro. Apagou. Mas era tarde demais. Vários outros pais e mães já tinham lido a mensagem e o circo já estava pegando fogo.

As histórias de confusões por causa do WhatsApp são muitas. Até eu já escrevi sobre isto aqui e, o que é pior, parece que está cada vez aumentam mais. Porque em pouco tempo, foram muitas histórias vividas e contadas com o mesmo tema.

Amiga me escreve: “preciso de conselho. Quero sair do grupo da família do marido, mas não sei como. Não tenho nada contra eles, muito pelo contrário. A única coisa é que eles são muito comunicativos. Não aguento ter todos os dias 20 mensagens de bom dia. Já coloquei em silêncio. Mas não dá. Sempre dou uma olhada, porque fico com medo de perder algo importante. Nunca é. É só bom dia mesmo. ”

Resumindo: os grupos de WhatsApp são uma atualização daquele velho filme: não pague para entrar e reze para sair incólume. Se não entra, é a antipática e antissocial. Se entra e fica muda, é a fantasma. Se entra e fala, pode dar confusão. Se sai, é a antipática e antissocial. Em algum momento, vai ter algum mal-entendido. Claro que me refiro aos grupos grandes, da escola, da grande família que inclui gente que tem pouco contato pessoal, do trabalho. O que gera a criação de subgrupos, para os aniversários, para os do trabalho sem chefes, para os da família mais próxima, a lista só cresce. A questão é que a hiper conexão, desconecta.

Outro problema é invasão e a falta de pudor. Coisas que muita gente jamais diria cara a cara, não tem nenhum problema em dizer em uma mensagem de duas linhas. Outro exemplo é que uma pessoa, sem nenhuma proximidade, nunca te ligaria à casa depois das 22 horas, mas não vê nenhum problema em te mandar uma mensagem às 2 da manhã e, o que é pior, esperar que seja respondida. Ou nas tuas férias. Estamos todos loucos.

E claro que tem coisas boas. Como não vou gostar de poder ligar para minha a mãe a qualquer hora e ainda colocar o vídeo para ela possa ver as crianças? Como não amar, poder acompanhar as aventuras do sobrinho, que está de viajando com uma mochila pela África? Mas como fazer um uso mais inteligente e menos agressivo desta rede onipresente? Aliás, não apenas desta, mas de todas as outras como Facebook e Instagram.

Ser “amigo” do chefe, do tio reacionário, da colega de trabalho puxa-saco, da mãe-do-amigo-do-filho-que-você-não-aguenta, da atual namorada do ex, da ex do ex, do ex e de um longo etc., pode ter um preço muito alto na sua saúde. Porque antes, no caso do trabalho, quando chegava o fim de semana, você ia para casa e até a segunda-feira seguinte, não tinha notícias dos colegas, a não ser que fossem amigos. E nem eles tinham notícias tuas. Mas agora não, você chega no trabalho e vem logo um e comenta: “que boa estava esta praia, não?”. E você fica na dúvida se é um comentário simpático, invejoso, irônico…

A solução, no meu caso, para as redes no trabalho, foi não seguir mais ninguém. Nenhum colega de trabalho. E ninguém mais me segue. Nosso ambiente de trabalho está muito mais em paz. Também aprendi a ser muito mais cuidadosa com o que compartilho, como por exemplo, opiniões políticas. Não escondo minhas preferências, mas cada vez debato menos. E prefiro não opinar sobre a política espanhola com quem não conheço. Simplesmente, não vale à pena.

Com o mais importante que acontece na nossa vida cotidiana, sobre o crescimento das crianças, comparto exclusivamente com os amigos e família mais próximos, que são os que verdadeiramente podem se interessar. E vou espaceando no tempo as outras fotos em aberto.  E, para evitar mal-entendidos, sempre que tiver que conversar sobre um assunto delicado, pego o telefone e ligo.

E ainda assim, ninguém está livre de mandar uma mensagem para onde não queria. Neste caso faça como minha amiga e diga a verdade. “Perdão pelo que escrevi. Não era para ser público. Errei. Mas é que eu penso. ” Perdeu o “amigo”, mas, seguramente, manteve os outros. Ah, e a outra amiga saiu do grupo da família do marido. Pediu desculpas, mas que não tinha como acompanhar tantas mensagens. Quem quiser entender, entenderá. Quem não quiser, é porque não merece nossa preocupação.

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