Você ensina seus filhos a serem amigos?

Os quatro são bem diferentes. Um adora futebol e games, outro não vive mais sem os exercícios físicos e a Economia. O terceiro é desenhista e vive no seu mundo particular, ela ainda brinca com as bonecas, ama os animais e os desenhos em quadrinhos. As idades variam de 9 a 21. As cores, os cheiros, as demandas e vontades giram em ritmos diversos. 

No meio disso tudo, estamos nós. Para educar e ajudar essa gente a encontrar seus caminhos. Fazer com que esses convívios deem uma liga. Provocar nos quatro interseções que façam sentido e que sejam respeitosas às suas divergências. 

Irmão não nasce amigo. Sair de uma mesma barriga ou ir viver sob o mesmo teto, nada disso basta para garantir o amor fraternal. Ele nasce no dia a dia. Nas partilhas de brincadeiras, em volta da comida, no sofá para ver um filme com pipoca. 

Em tempos de tanta solidão digital, trago para mim como mãe e boadrasta a missão de fazer toda essa gente se encontrar. Respeitando uns aos outros, ouvindo, falando com sinceridade o que precisa ser dito, acolhendo, rindo. Por inteiro e com verdade.

É cada vez mais hercúleo juntar os quatro em torno da minha fogueira. Mas um dia encontro dois aqui vendo juntos uma série na TV. Numa outra manhã, estão três ali na mesa do café vendo um vídeo no celular. E mesmo nas implicâncias trocadas num mensageiro qualquer digital, colho as evidências de que estou fazendo minha parte com algum sucesso. 

Olhar para um irmão e enxergar um amigo é um primeiro caminho para fazer desse mundo um lugar menos hostil e louco. Como mães e pais, deveríamos ser provedores dessas conexões, para que irmãos possam ser amigos reais. 

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