AMAMENTAR, um ato de coragem

Me senti convidada a escrever sobre este tema, na semana mundial de amamentação. O tema está bem presente na minha vida, uma vez que ainda amamento e estou grávida de novo neste momento. Acompanhei alguns processos difíceis de amamentação perto de mim, antes de ser mãe, percebia uma enorme frustração nas que desejavam e não conseguiam, por diferentes razões.

Na minha gravidez, me preocupava mais com isso do que com o próprio parto! Tudo uma questão de referência, já que os partos que mais participei de perto foram lindas referências e com isso me encorajaram mais.

Li bastante sobre amamentação, e posso dizer que foi muito importante para “me defender” no hospital, um lugar muitas vezes hostil à muitas questões de humanização. Era uma enfermeira que era rude, outra que, na hora da pega que doía e eu sentia, me dizia “assim ela vai rejeitar seu peito, se ela sentir que você está sentindo dor”. Eu respirava e às vezes respondia pedindo meu espaço e limite, em outras simplesmente ouvia e relevava.

Maria nasceu com 3,5 kg e nos dois primeiros dias começou a perder peso, o que é totalmente normal. Mas uma das enfermeiras já começou a colocar uma pressão horrível: se amanhã não tiver ganho X, nem lembro quanto, entraremos com suplemento!

ENTRAREMOS QUEM??? Quem entrará com suplemento na minha filha? Antes de falar qualquer coisa neste sentido, é preciso lembrar que a decisão é dos pais, com orientação e supervisão de um pediatra. Neste momento, peguei o telefone e liguei para o meu “novo pediatra”, na linha que sigo, antroposófica, que me deu total apoio e carta branca para eu não entrar com suplemento e aguardar a primeira visita com ele. Foi o que fiz. Mas realmente, Maria estava engordando pouco, dormia muito bem, chorava pouco, seu intestino funcionava, mas estava ficando muito magra. Foi então, que a massagista que me acompanhava, me deu o contato muito indicado, de uma consultora de amamentação, uma luz no fim do túnel!!!!

Cristina chegou em casa, lembro como se fosse ontem, abriu seu ipad e me mostrou um filminho básico sobre amamentação. Na parte em que aparece a cor das fezes eu levei um susto!!! Essa cor amarelada é a normal??? Nunca havia lido ou visto essa informação, as da Maria eram marrom. Foi aí que já detectamos que Maria estava com a “pega errada”, com isso puxava menos leite. Cristina me instruiu como corrigir a pega, e nada disso estava nos livros. Nos que li, sempre explicavam qual a pega certa, mas nunca como fazer para o bebê e a mãe conseguirem que isso flua da melhor forma.

Cris me deu muitas dicas, e as coisas foram se encaixando, ela me disse algo que ninguém me disse: se está sentindo dor, é porque está errado. Li e ouvi o contrário, muitos dizem, sentir dor no começo é normal, passa a pomada tal… Cris diz e nos orienta do contrário, essas pomadas só aliviam, mas não curam, a cura só vai acontecer se a pega estiver certa. E assim foi, alguns encontros e tudo foi se ajeitando!

Me ajudou muito a perseverança, o acreditar, apesar de… As pressões de fora vem, a ansiedade de que seu filho tenha um peso “normal” é grande, recuperar os pesos perdidos é um longo processo para um recém nascido, acreditar no ritmo, na intuição e perceber minha filha, os sinais, foram o que fizeram deste desafio, uma conquista!

Participar das rodas da “Liga la Leche”, com outras mães, conduzidas pela Cris foram muito importantes também. Há sempre aquela frase que diz, para educar uma criança é preciso uma aldeia. Compartilho desse provérbio, senão um aldeia, uma boa rede de suporte e troca fazem milagres! Aprendi muito com outras mães e me senti sempre muito acolhida, fundamental para enfrentarmos momentos de fragilidade que a maternidade traz, por inúmeras razões.

Ser mãe é uma eterna jornada, e eu diria, que a maior jornada de auto conhecimento e possibilidade de crescimento na minha vida! Agradeço imensamente a oportunidade.

Hoje vivo um novo dilema! Quando desmamar? Tantas informações diferentes, tantas opiniões, Maria fará dois anos em novembro, eu estou grávida, meu filho está previsto para janeiro. Com isso, muitos temas e assuntos se misturam.

Algumas pessoas me vêem grávida amamentando e me perguntam: Pode amamentar grávida? O tema é novo para mim, mas sim, pode, tem mães que amamentam dois ao mesmo tempo.

A resposta certa não há, depende! E depende de tanta coisa, são tantas as variáveis, e é tão relativo o que é certo e errado, cientificamente há algumas razões para desmamar, mas cientificamente há outras para continuar! Portanto, o certo é fazer sentido, é ser coerente com nossas crenças, é avaliar o contexto e escolher por inteiro aquilo que casa com os valores da família.

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