A escolha da escola

Está aí um tema que sempre adorei. Estive muitos anos do outro lado, recebendo pais na escola, no processo de escolha. Sempre amei recebê-los, ouvi-los, acolhê-los.

Fui aprendendo a alinhar expectativas, identificar e sugerir outras escolas, transparência sempre foi e continua sendo um dos meus valores. Amava apresentar o lugar de encantamento, o espaço que eu amava trabalhar e fazer o melhor pelas famílias que nos escolhiam.

Sempre orientava, visitei muitas escolas, observe e sinta. Muitas vezes a escolha não está no campo racional, apesar de passar por ele. Assim como quando estamos à procura de uma casa para viver, já sentiu isso? Uma sensação e um desejo: É aqui que quero morar! Já vivi isso algumas vezes, até porque já mudei muito!

Penso que escolher uma escola é como escolher onde viver por um tempo, nada é eterno, mas que seja eterno enquanto dure, já dizia Vinicius de Morais. Me encontro agora num novo país, Portugal, mãe e vivendo este processo de escolha pela primeira vez. Optei por matricular Maria apenas com 3 anos, uma vez que a vida me permitiu isso e penso ser o melhor para nós. Não acho que existe regra e nem uma fórmula sobre quando é o melhor momento de iniciar a vida escolar, existe o que é melhor para cada família, tenho amigas que colocaram os filhos em creche com 6 meses e foi o melhor para eles. Tudo depende da rotina, dos valores, das possibilidades e do que elegemos como prioridade em cada momento da nossa vida.

Temos aqui alguns amigos portugueses, brasileiros, e outras nacionalidades, que nos ajudaram com dicas e alguns contatos nestes dois anos de Lisboa, o Google também tem sido uma fonte rica de pesquisa. Maria tem agora 18 meses e iniciei o processo de nos aventurar por visitas às escolas, para setembro de 2019. O que descobri até agora, vaga é um problema sério nas escolas, visitar não é um procedimento simples como no Brasil, tem escolas que só te deixam visitar se houver vaga e se for o ano de ingresso do seu filho, o que me causa muita estranheza e um sentimento ruim.

Uma das escolas que mais queremos é bem fechada, para conseguirmos contato tivemos que ir tocar a campainha. Eu havia feito a ficha de pré inscrição on line, como pede a maioria das escolas aqui, mandamos email e telefonamos para agendar visita e não tivemos resposta, por incrível que pareça, ao vivo nos disseram que o contato é somente via e-mail, para aguardarmos retorno porque têm muita procura e demoram muito para retornar mesmo. Eu com minha experiência de sócia de escola, já tive vontade de dizer até logo e nunca mais voltar, mas nessas horas é importante reconhecer a cultura local, observar como é o funcionamento e respeitar, mesmo que nos cause incômodo e estranheza, é preciso relevar e ir sentindo aos poucos.

Teve uma outra escola muito especial que visitamos, nos retornaram rapidamente, agendaram visita, conhecemos e adoramos, mas a questão de vaga é um problema. Só saberemos a possibilidade em maio de 2019.

Um dia de cada vez, penso que escolhemos e somos escolhidos. Para setembro deste ano, já comecei um movimento de conexão com outros pais de crianças pequeninas e, se tudo correr bem, inicio um projeto de “escola itinerante na natureza”. Enquanto isso continuo a saga de visitas, amo visitar escolas, em qualquer lugar do mundo! É o meu chão de fábrica, lugar conhecido, espaço que guardo em mim tanto afeto e tanta luta por mudança e resistência! E vamos a isto, como dizem os portugueses por aqui!
Depois conto no que deu!

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