Greve geral feminina

Amanhã, dia 8 de março de 2018, dia internacional da mulher, todas as mulheres na Espanha estão convocadas para a primeira greve geral feminina. Com o lema “Si Nosotras Paramos, se Para el Mundo (Se nós Paramos, o Mundo para)”, se pede a todas as mulheres que não apenas deixem de ir aos seus postos de trabalho, mas também não levem as crianças ao colégio, não arrumem a casa, não cozinhem, não lavem roupa ou façam qualquer outra tarefa doméstica. A ideia é que a sociedade se dê conta da importância do trabalho feminino dentro e fora de casa. Uma luta por direitos iguais, melhores salários e maior visibilidade do trabalho feminino.
As espanholas querem repetir o êxito da primeira greve feminina da história, que aconteceu no dia 24 de outubro de 1975 na Islândia. Neste dia, 90% das mulheres do país pararam. As escolas fecharam, não teve creche e os homens não tiveram mais remédio que levar as crianças para o trabalho. O impacto foi não tão grande na sociedade, que apenas cinco anos depois, este país elegeu uma mulher como Primeira Ministra, a primeira de toda a Europa, e até hoje se considera a Islândia como o país mais feminista do continente.
Na Espanha, até a morte do ditador Franco, em 1975, uma mulher precisava da autorização do pai ou do marido para quase tudo. Para tirar carteira de motorista, abrir um crediário, ter conta no banco, entre outras coisas. Desde a redemocratização do país, muita coisa mudou. Hoje as mulheres tem plena cidadania, são diretoras de empresas, reitoras nas universidades, ministras, etc. Mesmo assim, a média é que as mulheres ganhem um 13% menos que homens por hora, mesmo exercendo funções iguais. Normalmente, esta diferença de salário aumenta com o nascimento do primeiro filho. Quando um bebê chega a uma família, é a mãe quem pede uma redução de horas de trabalho para ficar com o pequeno. Repercutindo no salário e nas suas possibilidades de ascender na carreira.
Mas não apenas isto. As diretoras ainda são poucas, assim como as reitoras (aliás, só tem uma única reitora na Espanha) e as ministras. As mulheres, embora maioria em muitas empresas, ocupam poucos postos de chefia e direção. O jornal El Pais fez um jogomuito legal para evidenciar a falta das mulheres em postos de direção, negócios, esporte e política na Espanha. Somos ainda muito poucas. Também somos nõs que temos os piores contratos de trabalho e maior precariedade no emprego.
A divisão das tarefas domésticas também não é equânime. Sobra para mulher o peso de cuidar de toda a família, fazendo a chamada dupla jornada. Também são elas as vítimas da violência de gênero. Em 2107, 56 mulheres foram assassinadas por seus maridos ou ex-maridos. E o mais triste é saber que no Brasil foram 12 mulheres assassinadas por dia.
Razões não faltam para a greve de amanhã. Então, mulherada, vamos nos preparar. A escola das crianças estará aberta, mas apenas professores homens estarão presentes. Assim, estaremos liberadas para, de lenço roxo na cabeça, comparecer às manifestações convocadas. E vamos para à luta por oportunidades iguais para nossas filhas, tentar acabar com a marca do machismo no nosso dia a dia. Que a Espanha tenha seu dia de Islândia.

Comentar