Dieta com filho comilão: como fazer?

Fica a dica para algum nutricionista, endocrinologista, psiquiatra – ou, quem sabe, um mágico: desenvolver um método para mães que precisam se livrar de vários quilos extras, mas que pariram um pequeno grande profissional dos talheres. O título poderia ser “A Arte de Fazer Dieta e Cuidar de um Filho Comilão”. Ou “Como Resistir ao Arroz com Feijão e Amar Alface com Agrião”. O meu caso é dramático: sou taurina e mãe de taurino. Aos 10 anos, o Arthur comprova a tese circulante na internet de que os nascidos sob Touro têm uma fatia de pizza no lugar do coração.

O Google Maps mental dele é gastronômico. Em dia de futebol, por exemplo, ele não vai ao Maracanã ou ao Engenhão, mas sim, respectivamente, ao “estádio do cachorro-quente Geneal” ou ao do “pastel grandão de queijo com vento”. Praia é sinônimo de biscoito Globo (e picolé de manga pra rebater). Cinema pode ser “aquele do milk-shake de chocolate” ou o da “promoção da pipoca gigante”. “Vamos no macarrão com almôndegas” é proposta para almoçar num italiano na Barra.

Então a mãe, que também tem esse probleminha astrológico, fica como? Não vale me enfiar goela abaixo a velha receita do “para-não-cair-em-tentação-fique-longe-dela”. Não tem pra onde correr. Como ignorar os carboidratos, se sou em quem põe a mesa pra criança, e criança não pode ficar somente à base de folhas, proteínas e luz, como me prescreveu o nutricionista? Como dar aquela esnobada no açúcar, se não posso “desver” os potes de doce de leite e similares que a vovó manda de presente pro neto?

Se o pirralho lesse livros como lê cardápios, já teria terminado a obra completa de Machado de Assis. Ele topa muito além do bifão com fritas. Vai de bruschetta de tomate ao ratatouille, passando por um badejo à Belle Meuniére… Uma espécie de ritual que ele inventou, lá pelos 5 ou 6 anos, e que segue até hoje, é o de simular desmaio quando prova uma comida boa. Como quase tudo é bom pra ele, vive fechando os olhos, recostando na cadeira e murmurando: “Hummmmm….” Quando tá bom demais da conta, vai se derretendo e escorregando até quase pra baixo da mesa!

O entusiasmo vale tanto para o sauté de cordeiro da chef Flávia Quaresma, que ele já atacou numa feira de culinária, quanto (e eu diria mais ainda) para o macarrão com ovo mexido da mamãe – que mal sabe acender o fogão. Dos bifes do pai nem vou falar, porque é humilhante pra mim. Uma vez contei essa história de o Arthur se deleitar com minha comida tosca, e um amigo comentou: “O amor é o tempero pra ele”. Acho que sim, porque logo que foi alfabetizado, me escreveu um bilhete em forma de coração, num Dia das Mães, que dizia: “Quando você faz aquele macarrão com ovo, só pode ser um sonho”.

Então me julguem: não tenho coragem de cortar a onda do moleque em nome da minha (futura) magreza! Não vou obrigar a criança a viver de frango e batata doce. Não quero abrir mão da alegria de vê-lo alegre pra ficar “longe da tentação”. O jeito é dar o meu jeito, enquanto ninguém bola o tal método que de que eu falei no primeiro parágrafo.

E que jeito seria esse? Arthur perde calorias facilmente, com futebol, brincadeiras de pique e o crescimento. Mas e a mamãe, que malha os dedos no computador e o cérebro na cachola, mas só vai na academia de vez em quando? É bem complicado fazer os ponteiros da balança andarem pra trás com tanta gostosura em volta.

Mas não é impossível. Já estou um bocadinho mais magra. Então vamos lá:

1. Tenha um motivo pra começar. No meu caso, era uma viagem de sonho, em que eu não queria aparecer redonda nas fotos! Assim, toda vez que eu sentava com meu agrião e o Arthur, com seu feijão, eu pensava na viagem. Assim foi indo, e o corpo se acostumou e passou a funcionar melhor.
2. Tenha um companheiro de dieta em casa. Meu marido entrou com tudo no “não” aos carboidratos e doces. Se um vira as costas pro pote de sorvete do filho, o outro fica com vergonha, e ninguém come! Ele teve resultados até melhores que os meus (pra homem tudo é mais fácil nessa vida, né?)
3. Tenha um círculo de amigas que te deem força! Essa é a principal dica! Eu e seis mulheres incríveis formamos no WhatsApp o grupo “Magras”. Ali a gente conta como está indo a dieta, pede conselhos, confessa pecados, é perdoada (ou não) e, principalmente, se diverte paca! No início, o grupo ia se chamar “Bob”, em homenagem à Roberta, que não precisa perder nada, mas faz dieta de manutenção da forma (de Mulher Maravilha). Mas outra amiga alertou que aquele nome lembrava o da lanchonete. Deu vontade de comer hambúrguer. Então ficou “Magras” mesmo.

Agora vou ali comer uma maçã. Até a próxima!

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