Smartphone para crianças: Quando dar? Como controlar?

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta semana uma medida que está gerando polêmica pela Europa: a proibição do uso de telefones celulares por menores de 15 anos em todos os centros escolares do país. Os adolescentes podem levar seus telefones ao colégio, mas estará proibido seu uso, mesmo durante recreio. A medida está sendo bastante aplaudida por parte dos professores, que acreditam que conseguirão mais atenção dos seus alunos e que isto propiciará uma melhor convivência, inibindo o chamado cyber bullying. Mas também recebe críticas por uma parte dos pais, que usam os telefones como forma de controlar onde estão seus filhos.
Polêmicas à parte, o certo é que há muito tempo se debate sobre o uso de celulares por parte de crianças e adolescentes. Quando dar um presente? Quando permitir o uso? Como controlar onde se metem nossos filhos nas redes? Como mãe de um menino de sete anos, que no último aniversário já começou a nos pedir um celular, é para mim uma grande preocupação.
Até o momento, temos decido fazer como a maioria dos pais espanhóis: nenhum celular até os 12 anos, quando começa a escola secundária (o equivalente à sétima série). O telefone costuma ser o presente esperado desta passagem da infância para a adolescência. Por um lado, os filhos entram neste mundo da comunicação com seus amigos, por outro os pais tem um modo de saber por onde anda o adolescente, que já tem mais liberdade para sair sozinho. Existem aplicações que bloqueiam o telefone do filho até ele responder à chamada dos pais, por exemplo.
Mas cada vez leio mais sobre problemas relacionados como excesso de telas na vida dos nossos filhos e me assusto. 12 anos será cedo? Uma das razões para a proibição francesa dos celulares nas escolas é para que os estudantes conversem entre si no recreio. Gente, que mundo é este que meninos de 13 anos preferem a tela que jogar futebol no recreio? Ok, nem todos gostam de futebol – eu não gostava – mas passava todo o recreio de fofoca com minhas melhores amigas e que isto era o melhor da escola.
Aí lembrei do meu susto na última vez que fomos a um restaurante frequentado essencialmente por pais e filhos. Em quase todas as mesas uma tablet ou celular com algum jogo ou desenho animado, hipnotizando a criança para que a mãe metesse uma colherada de comida. Podem me chamar de chata, mas temos algumas normas no uso de aparelhos eletrônicos pelas as crianças, que para mim nem são muito severas, mas que usamos como limite, para que nossos filhos aproveitem sua infância para brincar, correr, se sujar e se machucar.
1- Video game exclusivamente nos fins de semana que estamos em casa. Jamais no meio da semana.
2- Se estamos em um parque, piscina, praia, passeando ou em qualquer área de lazer ao ar livre, proibido o uso do celular.
3- Hora de comer é para comer, não para ver desenho na tablet. Se o restaurante demora muito, podem jogar um pouco, mas nunca na hora de comer.
4- Podem jogar no carro em viagens longas, mas sempre por um tempo limitado. No resto do tempo, podem pintar, brincar de adedanha, de adivinhar as placas do carro, dormir, etc. Optamos por não colocar DVD no carro.
5- Podem brincar com a tablet em casa, no meio da semana, depois de fazer os deveres e até a hora do banho. Temos uma tablet para os dois, então, cada um joga meia hora.
As crianças reclamam? Claro que sim. Principalmente se estamos em algum restaurante com outros adultos. Mas tentamos se firmes nas nossas decisões, sem ser inflexíveis. Mas fico muito feliz em poder planejar viagens de carro, como neste último verão europeu que fomos à Portugal, sem ter que me preocupar se os meninos vão aguentar ou encherão muito nossa paciência. E nestas horas que estamos todos juntos, podemos ouvir música, conversar e brincar com as brincadeiras de sempre, conectados sem a intermediação da tecnologia.
Imagino que será difícil para os adolescentes franceses deixarem seus telefones em casa, mas tomara que o governo espanhol tome a mesma medida por aqui quando seja a época dos nossos meninos irem para a escola secundária.

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