Natal outra vez 2

Ainda era começo de novembro quando levei o maior susto ao entrar em um shopping. Tudo já estava decorado para o Natal: as vitrines, as árvores expostas à venda, papais noéis e reis magos por todas as partes. Entrou um desânimo! Já é Natal outra vez! Saaaaco!! Não acredito! E ao chegar em casa e encontrar o marido com a mesma cara de “odeio Natal”, comecei a pensar onde foi que perdemos a alegria de festejar esta data. Se nunca foi minha festa preferida, por muito tempo nunca tive nada contra o Natal. Mas de uns tempos para cá parece que esta melancolia de final de ano se apodera de tudo e de todos. Menos das crianças é claro. E por elas disfarçamos e tentamos manter o bom humor.
Creio que no fim do ano se junta um pouco de tudo. Tem a distância de quem está longe. O banzo da família e dos amigos. Tem a saudade dos que já partiram. Tem as promessas de ano novo não cumpridas e a certeza que continuarão assim no ano que vem, porque já chegamos em uma idade que o auto engano não funciona mais. Tem ansiedade para o próximo ano e angústia de pensar em tudo que pode dar errado. Tem o tempo que passou, que já não somos tão jovens assim, que não estamos no patamar de ….(trabalho, finanças, sonhos, etc. complete com a palavra que quiser), que havíamos imaginado que estaríamos a esta idade.
Una o frio a esta equação e temos a tempestade perfeita para o baixo astral do fim de ano. Curioso que passamos toda a vida vendo o Natal na televisão, onde nos ensinaram que o frio era maravilhoso, a neve branca, todos com casacos lindos. Mas na verdade o frio é uma chatice. Falta luz do sol, escurece cedo, sair para passear dá trabalho. As luzes de Natal foram inventadas justamente para iluminar o mês mais escuro do ano. E isto que moramos na Espanha e aqui o pôr do sol acontece lá pelas cinco e meia da tarde. Em outros países mais ao norte, às quatro já é de noite.
E no meio de todas estas angustias tem as compras de Natal. O cansaço com consumismo, o gasto que isto representa para o bolso de uma família, parece uma corrida não se sabe bem para quê. Chega o momento que a gente se pergunta: vale à pena? Não dá para fugir? Vamos brincar de outra coisa? Dá para ser diferente?
São estas as perguntas que me faço ultimamente para mudar minha atual percepção destas festas. Mudança que tem que vir de dentro para fora, como tantas que fazemos. Até porque as crianças adoram o Natal. Realmente é a festa delas e não dá para ficar este monte de adultos de mau humor.
Então esta será minha única promessa de fim de ano e que é ao mesmo tempo o presente para minha família: vamos ter um bom Natal. Porque é o momento do encontro, mesmo que seja virtual. Porque o skype fica maluco de tanta ligação. Porque é o momento do abraço com quem está perto. É hora de recordar quem não está, porque as pessoas só partem de fato quando já não nos lembramos delas. Porque é a hora de agradecer por tudo que somos. Porque é hora de agradecer pela sorte de presentear e receber. Porque podemos fazer tudo mais simples. Porque os problemas do ano que vem devem ficar para o ano que vem. Hoje é só uma festa. Um feliz Natal antecipado para todos. Em especial para minhas queridas amigas e companheiras de blog, que tanto me ajudam a segurar a onda de uma mãe louca no estrangeiro. Para o Nacho, meu amado companheiro de vida, pela alegria de terminar mais um ano juntos e a sorte de poder começar outro.

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