Ilha enamorada de mim

Bali não te abraça.
Te testa.
É que nem homem safado.
Que te chama, te beija, depois te larga e não liga.
Só que é homem de cangote cheiroso, daquele tipo gostoso, que te chama de novo… de novo… de novo.
Ilha-homem joga comigo mas, meu amigo…
Não vês que também sou caprichosa?
Tu me trazes essas cores e eu te devolvo as minhas preces.
Me vens com esse sorriso, que te dou os meus sussurros.
E a cada curva que me ofereces outro arrozal, também tenho lágrimas verdes de amor pra te dar.
Quando teu vento me beija, meu olho que fecha, me entrega.
Ainda estás a jogar comigo?
Pois quando me picas a pele, eu deixo.
Sei que estás curioso do meu gosto, então não te firo. Já não tenho mesmo garras nas unhas cortadas, porque não quero que me enchas as entranhas com tuas criaturas estranhas a me expurgar os pecados.
Sei que também estás enamorado de mim. Sabes que não sou uma qualquer.
Vieste com teus piores perigos. Cobras venenosas a me invadir a cozinha, cruzamentos sem lei e tomei a direção mesmo assim.
Agora…
Traga-me tuas flores e incenso,
me faça massagem na nuca, que aceito teus presentes com gosto.
Te dou de volta meus pés descalços,
meus cachos,
meu coração.
Eu sei que me queres.
Posso ficar?

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