Reflexões sobre a educação

Desde pequena convivo com este tema, mãe educadora, tias educadoras, desde sempre frequentei espaços onde se pensava sobre o ato de educar.

Educar, do latim educare, educere, significa literalmente “conduzir para fora” ou “direcionar para fora”.

A definição já traz em si um propósito de mundo, de ampliar a visão do “olhar”, ou melhor, ampliar a visão de mundo! Sei que esta definição é muito subjetiva, mas será que as escolas compreendem sua real função?

Resolvi entrar para educação com 15 anos, não por amar escola, bem pelo contrário, porque desejava mudar aquilo, porque como aluna sofria com a “escolarização” do conhecimento. Porque repeti algumas vezes, porque a escola não me provocava, não me encantava, e muito menos, não me trouxe o desejo de aprender! Por outro lado, me trouxe o desejo de transformar, sempre lembro do Sartre, “não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com o que fizeram com você”.

Fui me apaixonando por ser professora, por buscar novas formas de troca com alunos, de aprender junto, de olhar para cada um e aprender de fato a ouvir e descobrir que cada um tem sua “forma” de relacionar-se com o conhecimento, cada um daqueles meninos que por mim passavam me faziam aprender muito, não somente sobre eles, mas sobretudo, sobre mim.

Sai da sala de aula faz mais de 10 anos, e nos quase 15 anos que lá fiquei, digo que nada me ensinou mais, ou me encantou mais, do que ser professora, pesquisadora, sempre me senti num grande laboratório. A sala de aula foi meu maior e melhor laboratório!

Desde que optei pelo magistério, que iniciei minha prática dentro do ambiente escolar, não mais como aluna, mas como docente, me tornei uma apaixonada por estudar, por buscar respostas para as minhas grandes perguntas, pela primeira vez, estudar fazia sentido na minha vida!

E assim venho neste percurso eterno de pensar sobre isso, já tive muitas verdades, hoje tenho mais dúvidas e questionamentos do que verdades, ainda bem!

Desde que me formei na PUC-SP, em pedagogia, fugi da academia, e fui atrás de temas e de pessoas com quem eu gostaria de aprender, e assim fui montando um currículo autônomo de “mestrado informal’, eu diria. Da academia peguei aversão, mas do desejo de buscar novas formas de aprender e ensinar, só me tornei mais inquieta, no bom sentido.

Muitos mestres me inspiraram, e me inspiram muito, e quando me refiro a mestre, me refiro a definição de mestre, no sentido de indivíduo que nos provoca, nos inspira. Tive muitos alunos mestres! Tive muitas parceiras de trabalho mestres! Consultoras mestres! Filósofos e educadores mestre! E sem dúvida, muitos mestres espirituais.

Minha maior pesquisa nos últimos anos foi sobre leitura e escrita, e sobre a concepção de aprender por projetos.

Sai do dia a dia da escola particular, apesar de continuar sócia e apaixonada pela Escola Santi, hoje faço apenas parte do conselho.

Me vi muitas vezes pensando mais sobre educação para os “excluídos”, zona rural, comunidades e mais que tudo, como melhorar a educação pública do nosso país, o que fazer com tanto analfabetismo?

Tive algumas experiências, e encontrei iniciativas maravilhosas, mas ainda é um tema para muitas discussões e eternas melhorias. Tive o privilégio de trabalhar no ICEP, na Chapada Diamantina, meu segundo grande laboratório.

Agora vivendo em Portugal, em Lisboa, quem sabe, fazer as pazes com a academia e iniciar uma nova relação? Ou não, continuar montando meu currículo informal… António Nóvoa é um educador português por quem tenho profunda admiração, e ele tem me ajudado por aqui, alguns contatos na Universidade de Lisboa, de onde foi reitor por muitos anos e ainda hoje reitor honorário.

Novos projetos sempre nos mantém vivos! Tenho pensado em tantos por aqui, mas antes de colocar qualquer projeto em prática, quero conhecer mais sobre a cultura de Portugal, as escolas, a infância, ser mãe me abriu mais portas neste universo e já tenho algumas boas informações.

Outro dia fui conhecer um projeto maravilhoso, o APAS – Associação Pedagógica Aurum Solar, uma “escola” muito bacana e diferente de tudo que eu conhecia, primeiro porque é um espaço que recebe alunos que os pais se responsabilizaram pela educação domiciliar, e segundo porque é a primeira escola que visito que não começou pela educação infantil, nasceu com o intuito de contemplar um fundamental II com melhores propostas e sentido do que a “escola tradicional”, fiquei encantada! Maria, uma das fundadoras e hoje a professora que está a frente do projeto, juntamente com seu marido, é uma educadora apaixonada.

No dia que fui conhecer, ficamos horas conversando, e presenciei uma cena que muito diz sobre a concepção. Chegou um aluno por volta dos 14 anos, se queixando de dor de cabeça. Neste momento Maria chamou a osteopata que fica de plantão uma vez por semana e ela o recebeu, em pouco tempo o aluno já estava deitado na cama de massagem, recebendo um trabalho corporal com óleos e sendo tratado de uma forma que eu nunca havia presenciado em nenhuma escola que conheci, rapidamente ele sentia-se melhor e voltou mais tranquilo e relaxado para a atividade que estava fazendo.

Fico tão feliz quando me deparo com práticas inovadoras assim, que levam em consideração o corpo, o sentir, o indivíduo! Ouço muito que as escolas portuguesas são caretas, tradicionais, e sim, a maioria parece mesmo que é, mas por enquanto é cedo para eu generalizar qualquer coisa.

Continuarei “investigando”, e aprendendo, aprendendo e aprendendo, afinal qual o sentido da vida senão esse?

Logo mais conto o que mais venho descobrindo por aqui e os projetos que pretendo colocar em prática.

Até breve! 

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