Vamos falar sobre comprometimento?

Lucas está com 14 anos, quase quinze, e termina o ensino fundamental no fim do ano. Sempre foi um ótimo aluno, daqueles com boletim só no azul, notas acima de 8,0 nos piores resultados. Nunca ficou em recuperação.

Mas este ano surgiram os 7,0. E notificações da escola sobre deveres incompletos. Uma, duas, três vezes, quatro. Fiquei meio perdida sobre o que poderia estar acontecendo, já computado o desinteresse normal pela escola que surge simultaneamente à aparição dos hormônios e dos pêlos no rosto e no corpo. Sentamos para conversar e ele apresentou seus argumentos: realmente não estava fazendo os deveres porque achava que não eram necessários, afinal, veja as minhas notas, estou bem nessas disciplinas, eu sei inglês, não preciso ficar fazendo dever, tem gente da minha idade com o boletim muito pior…

Não deixamos ele se estender muito por esse raciocínio. Chamamos uma reunião com a escola e apoiamos a cobrança que foi feita, reiterando sua importância e pedindo que elas continuem com ainda mais rigor porque acreditamos que é também no compromisso com as tarefas de casa que residem estudo, respeito e comprometimento com as regras daquele ambiente.

Mas sei que muitas das vezes não é essa a postura das famílias. Preferem achar que a escola ou os professores estão exagerando com os alunos. E é dessa mesma escola que os pais cobram depois a performance no Enem, no vestibular, na vida.

Sou bastante crítica com a educação escolar dos últimos tempos, vejo muitas escolas ainda insistindo num ensino muito focado na performance e na hierarquia professor-aluno, sem abrir espaço para o novo. Mas há sim outras muitas tentando novos modelos para conseguir atrair de volta a atenção dos alunos e suas famílias para a importância dessa parceria numa nova educação. É justamente nesse ponto que entra o nosso compromisso como pais, cobrando o comprometimento dessa garotada com as regras e o educar.

Vivemos hoje no Brasil um momento muito, muito estranho. Queremos muito de volta o compromisso com o que é correto, com os valores em que acreditamos, com as regras, com justiça social. Mas estamos ensinando isso para nossos filhos? Estamos mesmo comprometidos?

 

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