Medicinas

A morte por uma otite de um menino italiano de sete anos, que em vez de receber antibióticos, foi tratado com homeopatia, comoveu e incendiou o debate sobre tratamentos médicos alternativos em toda a Europa. Aqui na Espanha, já tramita no Congresso que este tipo de medicamentos (homeopáticos) venham com uma advertência alertando que não existe nenhuma evidência científica de que funcionem. Mesmo assim, a busca por uma medicina mais natural atrai cada vez mais pessoas, normalmente com maior poder aquisitivo e nível educativo alto. Pessoas que buscam fugir da onipresente indústria farmacêutica, que querem remédios mais naturais e menos agressivos para suas famílias, mas que também ajudam uma outra industria: apenas na Espanha, a homeopatia faturou 60 milhões de euros em 2016.
E a polêmica não para aí. Também na Itália este ano já ocorreram 2.719 casos de sarampo, na Alemanha foram 800 e mais de seis mil na Romênia, com seis mortes registradas. Deste total, 89% das crianças não receberam a vacina contra esta doença, disponível gratuitamente em todos os sistemas públicos de saúde. E por que? Pelas mesmas razoes. Busca por tratamentos mais naturais, menos agressivos, aliados à crença em uma mentira: a de que as vacinas provocam autismo. Esta mesma semana, em um programa de rádio de grande audiência, o apresentador repetiu a história da relação entre autismo e vacina uma vez mais, provocando a ira de pediatras por todo o país e deixando claro que esta mentira não desaparecerá tão cedo.
O que está acontecendo no velho continente? Por que tanta desconfiança da medicina tradicional? Será que podemos colocar no mesmo saco os anti-vacinas com os adeptos da homeopatia? Ou será que podemos conciliar duas posturas: acreditar que existem outras formas de curas e bem-estar, mas também adotar a medicina tradicional quando o assunto é sério?
Eu pessoalmente nem discuto a validade de vacinar ou não uma criança. Meus filhos têm todas as vacinas em dia, até mesmo aquelas que aqui não entram no sistema nacional de saúde pública. Não é uma questão de crença. É certeza absoluta na sua eficiência na prevenção de doenças graves.
Já com relação à medicina alternativa, com as crianças não usamos nenhum remédio homeopático, embora sim já tenha feito uso – ainda no Brasil – deste tipo de medicina. E tenha amigas que não apenas praticam a homeopatia, como estão muito felizes com os resultados. Mesmo que muitos médicos afirmem que tenham apenas um efeito placebo.
Também é verdade que usamos muito poucos medicamentos com nossos filhos. Carolina, com cinco anos, jamais tomou um antibiótico. Isto porque nunca precisou. Seu pediatra, um médico das antigas, perto da aposentadoria (vai fazer falta) acredita muito mais na boa alimentação que em tascar qualquer coisa para as crianças. Mas, quando é preciso, sim que receita. Hugo, com seis anos, já usou duas vezes. Como todos os pais, tentamos dar o que consideramos melhor para nossos filhos e priorizamos na comida saudável. Comer frutas e verduras diariamente. Ter uma vida ao ar livre. Para isto ser ainda melhor, ainda unimos a um hobby para toda a família: ter nossa própria horta. Aqui em Zaragoza, alugamos um terreno e plantamos nossas próprias verduras. Um tempo para estarmos todos juntos e ainda ter a certeza de que comemos sem agrotóxicos.
Talvez o que esteja faltando nos tempos atuais é um pouco (ou muito) de bom senso. Mas aí não seria apenas neste caso, não é mesmo?

Comentários

  1. Esse um tema que deveria ser mais explorado na mídia. Me lembro que quando morei na Alemanha, entre 2005 e 2013, já havia essa discussão é muita controvérsia, já que muitos pais estavam decidindo não vacinar os filhos por achar que as vacinas poderiam causar outros problemas como o autismo, por exemplo. O problema é que essa decisão de não vacinar, acaba afetando outras famílias e pessoas acarretando o reaparecimento de doenças antes consideradas erradicadas. Me parece uma preocupação de quem não viveu a ameaça real de doenças causando a morte dentro de casa, afetando parentes próximos e etc.
    Até hoje não entendi quando isso começou, mas sem dúvida merece mais espaço na mídia.

  2. Bem, eu não parei de dar vacina no povo aqui de casa, mas sigo apenas o calendário oficial do governo mesmo. Não entrei na paranóia das milhares de vacinas que surgem por demanda dos laboratórios. A da febre amarela, por exemplo, não dei na Helena nem nos meninos, fizemos a prevenção tentando evitar os mosquitos mesmo. Mas eu tb faço uso da homeopatia há quase três décadas e somos bem felizes. Não significa que não tomamos remédios alopáticos, apenas que lidamos com isso de uma outra forma, questionando e ponderando as necessidades e a real capacidade dos nossos organismos de reagir e de se equilibrar. E de vez em quando estamos recorrendo a eles tb. Respeito quem não acredita, mas nós aqui acreditamos. Mas acho que a discussão precisa ser mais presente mesmo. Até para que todos os lados possam se ouvir, conhecer outras visões e se respeitar. : )

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