Dias desafiadores maternos

Desafio é o nome da vida das mães. E eles mudam de acordo com a idade dos filhos e das fases das nossas vidas. Nesse dia das mães, perguntamos à nossa rede que desafios elas estão encarando nesse momento. Mudanças, namoros, limites, conexões, tecnologia, futuro. Veja o que cada uma está desafiando por agora.

Adriana Flora

Minha filha de quinze anos parece ter juízo; tem boas amizades, me conta bastante da sua vida, do que acontece ao seu redor, me fala da escola mas com toda certeza não me conta tudo. Faz alguns meses começou a namorar um menino mais novo. Não um menino qualquer e sim o filho de um dos melhores amigos do meu marido. O lado bom é que conhecemos a família, sabemos bem quem ele é. Mas não deixa de ser um desafio “assistir” esse namoro, seus “mini dramas” já que ele é mais novo e ela quer manter tudo em segredo. Já aconselhei, ponderei várias coisas com ela, mostrei opções de como agir, possíveis consequências, mas deixei muito claro que ela é quem decide os caminhos, já que será ela quem sofrerá as consequências de suas escolhas.  Colocado desse jeito, parece tão óbvio e fácil. Mas não é. Nesse meu momento como mãe, vivo em duvida: será que estou dando liberdade demais pra minha filha? Seria melhor eu por mais limites no namoro, por exemplo?

Depois vem a preocupação com as drogas. Aqui nos EUA, elas estão muito presentes na escola. Pelo que minha filha me conta e pelo que ouço de outros pais há muitos adolescentes envolvidos com drogas. Tento conversar o mais abertamente sobre o assunto é ser o mais honesta possível. Mas a preocupação é grande.

O desafio do momento pra mim como mãe é ser aquela que enxerga coisas que ela ainda não vê, que apresenta alternativas quando tudo parece complicado e que conforta quando o sofrimento é inevitável.
É confiar, respeitar, não invadir.

Bia Golzi

Estamos novamente focados em nossa recorrente temporada de mudanças para outro país. Felizes, temerosos, excitados, concentrados, curiosos, cansados. Somos um misto de emoções, passando um tanto mais perto das melhores sensações, e bem menos das piores. Mas experimentando um pouco de todas.

A mudança é um caminhar sobre cordas. E neste processo, sendo eu quem encabeça o dia-a-dia das crianças, o que mais me consome é a organização de toda a equação para que os passos desta transição sejam suaves. Na balança há o equilíbrio entre as inúmeras tarefas que uma mudança de país requer; o tempo para revisitar os lugares que levaremos na memória; o encontro com os amigos que fizeram deste um ano em Singapura um recanto lotado de afetos; reuniões para leituras, filmes e conversas sobre o novo destino; o intervalo para o ócio, a reflexão, a realização do que passamos, do que hoje somos, abrindo espaço para muito em breve entendermos as possibilidades que se apresentarão neste mundo novo e estejamos prontos para escolher como estaremos integralmente lá, mas à vontade com tudo aquilo que compõe estes corpos em eterno movimento.

 

 

Pri Ali

Ultimamente tenho tido um desafio: saber lidar com a Luana, com o filho mais novo, saber balancear pra não deixá-la sempre na vantagem perante o irmão. Luana é menina, é cheia de detalhes, os dramas são eternos, e na grande maioria das vezes sinto não ser justa em relação ao irmão. Sempre com aquela desculpa: “Noah, deixa, ela é muito novinha, ainda não entende”. Mas a verdade é que já entende sim, a Luana é que sempre opta pelo lado dramático e complicado da coisa, honrando o seu cromossomo xx. Então ultimamente tenho tentado me policiar para não transformá-la em uma drama queen, mas confesso que tem dias que temos 30/40/50 batalhas por dia, e se a paciência não lidera, chegamos ao fim do dia massacrados!

Raquel Almeida

Manter a conexão. É hoje meu principal desafio da maternidade. Não só pela distância física, mas pelas condições da vida que nos exige tanto, que suga nossa atenção e nos deixa com a ressaca da lonjura uns dos outros. E isso acontece mesmo com Helena, que vive comigo.

Não são poucas as vezes em que um texto, um evento, uma necessidade me deslocam também para longe dela. Esses hiatos me deixam desconfortável. E eu luto para reduzi-los a pó. Mas admito também que às vezes canso e tombo. Não ligo, não escrevo, não chamo. Pelas idades e temperamentos diferentes de cada um deles, manter-nos conectados, com qualidade, exige dedicação, resiliência, respeito. Entender e aceitar os tempos de cada um para o relacionar-se. Não tem sido trivial. Mas vamos seguindo.

Rosane Marinho

Neste maio de 2017 o Mães em Rede me faz pensar sobre o que mais me preocupa na maternidade neste momento. E pensando fui me dando conta que vivo um momento bem especial com meus meninos. Eles estão agora com 6 e 5 anos e acho que esta fase poderia durar bem mais tempo. Eles são mais independentes – se vestem sozinhos, comem sozinhos, buscam a merenda sozinhos, dormem na casa dos amigos – mas ao mesmo ainda me amam sem restrições. Passou a dependência da fase bebê, as incertezas, as exigências dos outros, para uma etapa de aproveitar a infância.
Meu medo maior: ser capaz de mantê-los financeiramente neste mundo cheio de incertezas. Mas isto não é deste mês e sim de sempre. Então como é um medo para muitos e muitos meses, vamos voltar para a infância e aproveitar estes momentos que tão bonitos que vivemos.
Simone Intrator
Conseguir pôr um limite na hora que filho está no celular ou no computador, mas precisa desligar da tela, tem sido meu desafio e questão neste 2017. Acho um baita desafio fazer parte da primeira geração de pais com filhos 100% conectados.

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