Aprender sempre

O menino trouxe o seguinte problema para resolver: a pessoa A tinha 35 centavos para gastar em balas. A pessoa B tinha 15 centavos. Escolhe entre as moedas ao lado as que elas usaram para comprar os doces (tinha desenhos de duas moedas de 20 centavos, duas de cinco, duas de dois, uma 10 e uma de um centavo). Se você achou fácil a solução é porque você não tem 6 anos como o Hugo. É um problema que envolve várias operações: ele teve que somar e depois aprender reconstruir este valor com as moedas. Além de, obviamente, entender o enunciado.
Hugo está na primeira série do ensino fundamental em uma escola pública espanhola. Além dos problemas de matemática, ele tem que ler um livro por semana (e responder um pequeno questionário para ver sua compreensão do texto), aprender uma poesia a cada 15 dias, mais os deveres de espanhol e ciências (sociais e naturais). A professora – ainda bem – não passa muitos deveres. Ele traz os livros somente quando não conseguiu terminar todos em classe. Sua maior obrigação mesmo é ler. Mesmo assim, eu me espanto com o que lhe é exigido e não me lembro de fazer coisas tão complexas com a mesma idade. E mais uma vez começo a questionar se tanta exigência para alguém tão pequeno ajuda ou atrapalha. Será que na adolescência ele continuará gostando tanto da escola como gosta hoje ou simplesmente já estará de saco cheio?
Porque como professora que também sou (de fotografia para adultos, não de crianças) muitas vezes tenho como alunos adolescentes de 16, 17 anos sem nenhuma vontade de aprender, sem autoestima, sem curiosidade, o que para mim é o mais triste. Todos os anos, tenho pelo menos um nesta situação: um rapaz ou moça que não querem ir mais à escola formal. Pais desesperados, buscando uma solução, matriculam o filho no curso de fotografia, para quem sabe, ele (a) encontre algo que lhe pareça interessante. Que recupere o gosto em aprender e, talvez, descobrir uma profissão.
É bem difícil ser professora quando o aluno perdeu a curiosidade. Alguns têm histórias horríveis que contar: que foram chamados de burros por um professor, sofrendo assédio moral pela própria escola, que muitas vezes não sabe tratar o aluno que está perdendo o interesse em aprender.
Outros não conseguiram uma nota suficientemente alta para entrar no curso escolhido (ou na universidade ou no curso profissionalizante) e estão vagando, à espera de sabe-se lá o quê. Em comum tem a pouca autoestima e a sensação de já, mesmo tão jovens, terem fracassado na vida.
Com meus alunos tento despertar neles novamente o interesse no novo, no diferente. Mostrar que se pode arriscar, sair do convencional. Mas na escola primária creio que isto não existe. Aqui se espera o tradicional, a boa nota no boletim. Claro que também tem ainda um lado lúdico, com jogos e brincadeiras. Tem classe de xadrez, de teatro. Tem horta para plantar, tem brincadeiras tradicionais na aula de educação física. E esta parte da escola eu gosto bastante, além da convivência com as outras crianças e pais.
Então, que fazer para o que menino nunca perca seu prazer de aprender? Se alguém tiver alguma ideia, escreve para nós e vamos conversar. Quero muito aprender com vocês.

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