Ser pais é padecer nos grupos de Whatsapp da escola

Dizem que a terceira guerra mundial vai começar não por causa da corrida armamentista de Donald Trump e sim por conta de uma briga entre pais (mais bem mães), iniciada no grupo de whatsapp da escola. Eu não diria tanto, mas nestes quatro anos que temos os meninos no colégio, já vivi algumas saias justas. E creio, por todas as histórias que me contam, parece que todos já passamos por alguma discussão ou bate-boca (ou melhor, bate teclas), neste que deveria ser um instrumento de comunicação e se transforma em um ponto de desencontro entre pais, filhos e professores.
Nós ainda somos uma geração que está aprendendo a usar estas novas tecnologias. Não estamos acostumados com tanta rapidez e a comunicar-nos por escrito. Whatasapp é um instrumento ideal para: marcar um encontro (chegarei 5 minutos tarde, te espero dentro, estamos na porta, etc), para tirar alguma dúvida fácil (qual é o dia da educação física?), para dar algum aviso geral (o aniversário de fulano será em tal lugar a tal hora) e poucas coisas mais. Mas, como somos aprendizes nestas tecnologias, este instrumento se transforma em:
– Agenda dos filhos (quais são os deveres que tem para hoje? É para ler até que página?), tirando a responsabilidade da organização das mãos das crianças.
– Lugar para compartilhar hoax alarmistas (foram vistos pelo bairro famosos sequestradores de crianças).
– Intercâmbios infinitos de felicitações várias.
– Queixas sobre o comportamento de alguma criança que bateu ou apanhou de outra.
– Discussões variadas, desde política até as fantasias de Carnaval.
Quem não passou por uma destas que atire o primeiro emoticon.
O resultado é que novos problemas vão surgindo na mesma medida em que vamos usando nosso super smartphone. Um episódio que vi de perto passou na época do Natal.
Alguém envia para o grupo de pais uma piada sobre a inexistência dos Reis Magos (na Espanha quem traz os presentes para as crianças são os Reis Magos e não Papai Noel). Uma criança lê a mensagem e começa a chorar, porque ainda acreditava nos Reis Magos. A mãe da criança se enfurece e reclama no grupo. Que a tal piada havia criado um drama na sua casa. Quem enviou a piada responde que o erro é da mãe, que deixou o celular com a criança. A tal mãe se enfurece mais ainda e diz que quem determina se sua criança vai usar ou não o telefone é ela e ninguém mais.
Tudo isto por mensagem. Tudo isto compartilhado por mais de 20 mães de forma direta. No final das contas, todo o colégio soube da discussão. Tudo por causa de uma piada boba no lugar errado. Tudo porque as pessoas decidiram bater-boca por escrito em vez de conversar. Tudo porque ainda não aprendemos que não deveríamos escrever coisas que não diríamos pessoalmente.
Então, pensado em todos os problemas que podemos evitar, repasso aqui uma pequena lista de cuidados que deveríamos ter ao participar em grupos Whatsapp da escola.
– Deve ser usado para compartir informações úteis sobre a escola, exclusivamente.
– Os pais não deveriam nunca se transformar em agendas dos filhos. Isto diminui sua responsabilidade em ser organizados.
– Não use o grupo para criticar um professor. As críticas devem ser conversadas diretamente com este.
– Não difunda boatos.
– Se tiver algum problema pessoal com alguém em particular, falar com esta pessoa. O resto do grupo não tem que participar.
– Não se sinta culpado por abandonar o grupo.
– Não seja o chato do grupo. Não deseje bons dias todos os dias. Aliás, já sabemos que todos nós desejamos a todos uns bons dias e noites. Não precisamos dizer isto sempre.
Ficamos combinados assim?

Comentários

  1. Participei por menos de 1 ano de um grupo de pais no WhatsApp e pareceu uma eternidade. Tive que silencia-lo. A falta de bom senso de algumas pessoas transformou uma ferramenta incrível em algo chato e, algumas vezes até constrangedor.
    Parabéns pelo texto muito pertinente! Tomara que algumas das pessoas do meu antigo grupo leiam!

Comentar