Educar para a igualdade

Carol pode passar horas desenhando. Hugo está sempre pulando pela casa e pedindo rua. Ela conversa com suas bonecas, ele coleciona figurinhas de futebol. Ela pediu para aprender ginástica rítmica no próximo ano escolar. Ele disse que quer provar o rugby. Não sei se estas diferenças se devem ao gênero, ao caráter ou aos dois ao mesmo tempo. Pois se eles gostam de coisas diferentes, também compartilham muitas outras: correr, jogar bola, todas as brincadeiras tradicionais. Têm amigos meninas e meninos. Gostam de dançar, de ouvir histórias, de ir à praia e ao cinema. Mas nesta semana em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, por primeira vez, me preocupei que os dois não tenham da sociedade as mesmas oportunidades. Que Carol tenha que provar sua competência mais que seu irmão. Que a ela lhe peçam explicações sobre se vai casar ou não, se terá filhos ou não, que lhe exijam boa aparência, que tenha que se proteger de possíveis assédios. Enfim, que no século XXI, ainda tenhamos que lutar pelas mesmas coisas pelo simples fato de ser mulher.
Educar para a igualdade de gênero é uma grande responsabilidade. E o exemplo começa com a gente: os pais. As crianças não veem nenhuma diferença sobre quem faz as tarefas de casa. Se eu faço o almoço, o pai faz o jantar. Se hoje eu limpei a cozinha, amanha é a vez do Nacho. A cada noite, um dos dois coloca os meninos para dormir. Buscar na escola, levar na natação, fazer as fantasias de Carnaval. Nenhum tem um dever determinado. O que pode, o que o horário de trabalho permite, pois é este que vai. Mas não é nada planejado. Simplesmente é a forma como entendemos a igualdade dentro de casa.
Mas será que isto é o suficiente? Esta semana ouvi de uma aluna (sou professora de fotografia) de pouco mais de 20 anos que seu sonho era casar com o primeiro namorado. Outra aluna me conta, que na sala de aula de sua irma adolescente em uma escola de elite, meninas que trocavam de namorados eram chamadas de vocês sabem o que. Os rapazes usam o whatsapp para controlar as namoradas em todos os momentos. Elas têm que mandar fotos para provar que estão onde dizem que estão. Tive medo por minha filha ainda criança neste mundo que, às vezes, parece que retrocede com passos agigantados.
Ainda estamos submergidos dentro de uma cultura machista. Podemos encontrá-la na fala do presidente que limita o papel da mulher ao supermercado, no playboy que diz que não sai com mulher “rodada” e, mais ainda, nas mulheres que ganham, na média, um 20% menos que os homens. Elas ocupam menos cargos de chefia, que pouquíssimas cheguem ao posto de reitora, ou de juíza no Supremo. E pior, que um deputado polonês possa dizer, dentro do Parlamento Europeu, que as mulheres devem ganhar menos, porque são mais fracas e burras que os homens e são ser preso imediatamente.
O caminho para a igualdade ainda é longo. Que nossos meninos e meninas tenham a mesmas oportunidades é um dever para nós pais. Não vai ter arrego, nem vai ter descanso. Vamos enfrente.

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