Reflexões de um natal que passou e um ano que está por vir

Aprender e ensinar o consumo responsável talvez seja das coisas mais difíceis da época atual. Muito fácil cair na tentação do comprar por comprar. Mas é isto mesmo que queremos para nossos filhos? Thais Braga, em Londres, começa o ano refletindo sobre como nossos hábitos influenciam nos nossos filhos.

Este foi meu segundo natal em Londres, tudo lindo, muitas luzes, muitos enfeites e muito gasto! Depois que virei mãe tem sido mais difícil controlar o bolso; no natal, então!

Percebi que mais um espírito se uniu aos 3 já conhecidos, espíritos natalinos (do presente, passado e futuro): o espírito consumista!

Tudo o que via de interessante para crianças queria comprar pra Aurora. Brinquedos educacionais, e de tecnologia que me deixam de boca aberta, animais gigantes, carrinhos, bonecas, quadros para pintar, brinquedos que estimulam a mobilidade e por aí vai, poderia citar mais uns 500 tipos aqui.
Que mercado macabro! A propaganda deles não atinge só às crianças, mas a nós, mães, que querem “o melhor” para seus filhos.

Minha reflexão começa por aí! O melhor para eles não é ter uma infinidade de brinquedos super modernos, mas sim, nossa companhia para brincar. Segundo: Que tipo de mensagem passamos quando compramos um monte de brinquedos ? Que aquilo é normal? Que tudo bem todo mundo comprar sem limites? Que presentes são o mais importante do natal?

Contrariamos o real significado do natal, que vai de encontro à esse consumo desenfreado, que visa estar presente de alma, de corpo, e não dar presentes, objetos. Um não pode substituir o outro.

Também perdemos a oportunidade de dar algumas lições vitais; o que vem agora na minha mente: De controle financeiro, as consequências de todo aquele consumo para o planeta e a diferença entre necessidade e futilidade. Quando eles veem aquele monte de brinquedo não tem noção do custo, não aprendem a importância da compra consciente, dos recursos que cada pedaço de plástico utilizou do planeta, da mão de obra explorada usada para confeccionar, de todo o transporte feito para mobiliza-los gerando mais emissões de gases e da real necessidade de possuir coisas, de dar valor ao que não merece valor, a questão do ter para ser.

Começo o ano de 2017 buscando essa reflexão dentro de mim, querendo me tornar uma pessoa melhor, por mim e pela minha filha, que esteja mais atenta às necessidades da vida em sociedade, às minhas atitudes e mensagens que passo para ela em entrelinhas.

Essa é uma boa época para fazermos uma auto-análise, a sensação de estar recomeçando com um ano que também se reinicia. Nós, mães, temos motivos de sobra para mudarmos, evoluirmos, repensarmos, afinal, a partir do momento que botamos alguém no mundo temos a responsabilidade de servimos de exemplo. Nós somos o presente e parimos o futuro.

Para quem quiser ler sobre uma solução que encontrei para os natais aqui em casa, sem ser radical, mas respeitando a essência da celebração, confira o post que fiz sobre isso no blog da Mãezona Natal x Consumismo
Feliz 2017 para todos , comecemos com o pé direito =)

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