Mães com saudade das mães

Thais Braga, de Londres, criadora do site #maezona, escreve para o Maes em Rede sobre uma das coisas que mais conhecemos: saudade. Vou agora correndo ligar para minha mae.

Um dos grandes sacrifícios de morar fora é se afastar da família, não é?

Outro dia estava conversando com duas amigas que também moram aqui em Londres e todas fomos unanimes quando tocamos no assunto “saudade”, a falta de estar presente, de vermos nossos filhos interagindo com os avós, primos, tios. De perdermos momentos únicos que nenhum skype ou messenger substituem.

Minha cunhada está grávida, a linda Beatriz nascerá em dezembro. Eu não tive a oportunidade de conversar com ela na barriga, sentí-la mexendo, abraçar minha cunhada e passar todo amor do mundo através do toque, olhar nos olhos dela e dizer que estarei lá pra ajudá-la no puerpério. Não estarei presente em seu renascimento como mãe (ela já é mãe do Samuel, meu amado sobrinho), nem no nascimento da Beatriz, não vou poder sentir seu cheiro, enroscar-la no meu colo pedindo a Deus que a proteja sempre.

Mais uma foto em família que não estarei registrada, mais um registro que não poderei acessar em minha memória.

A saudade também se estende em outros sentidos: como dá saudade de sermos filhas às vezes, né? Sentimos falta de nossas mães e de todo o apoio que elas, e só elas como mães, nos dão.

Quando moramos longe delas nos tornamos muito mais independentes e, mais do que nunca, nos reconhecemos como mulheres, seguras, mas também nos sentimos um pouco órfãs, né?

Elas não estão mais por perto pra cuidar da gente quando ficamos doentes ou estamos muito cansadas, para nos levar naquele passeio mãe-filha que termina em lanche e muitas risadas, ou para fazer uma visita surpresa trazendo muitas coisas gostosas que enchem nossas geladeiras e corações vazios (de comida e mimo de mãe) . Para a maioria, as mães são confidentes, que fazem tudo por seus filhos, um amor inexplicável. Hoje, entendo bem esse sentimento.

Receber a visita de nossas mães em nossas casas fora do Brasil é revigorante, sair com uma mãe a tira-colo é ostentação; quando elas ficam com nossos filhos e nos dão uma folga então, é digno de gritar:

-TRAZ BEBIDA QUE PISCAAA!

Quando moramos fora, deixamos de ser filhas para nos tornarmos mães em tempo integral. Não me levem a mal, ser mãe é maravilhoso, mas ser filha de vez em quando é muito luxo!

Beijos de uma filha saudosa e até a próxima!

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