Uma reveladora assembleia escolar de 7 horas

No último sábado, dia 5 de novembro, fiquei das 14h às 21h30 na assembleia para eleição dos pais que irão trabalhar na coordenação da escola waldorf dos meus filhos.

Pensar, sentir e agir. As regras básicas da pedagogia antroposófica são mais contrastantes quando acabamos de sair do ensino público, centralizado pelas decisões do governo, para entrar no sistema participativo. Escolas waldorf são uma associação de pais, responsáveis pela administração e gerenciamento da instituição.

Pode parecer um tanto exagerado uma assembleia escolar de mais de sete horas. Mas não foi. O mundo anda inóspito aqui fora. Naquela sala, em companhia de pais e professores que acreditam que um filho no mundo é uma missão séria demais, experimentei um modelo de participação que revela o quanto precisamos saber organizar e elaborar esse excesso de informações que recebemos diariamente.

É realmente momento de dar força às comunidades.

A eleição na escola foi a partir do sistema sociocrático. Cada um indicava um candidato para o cargo disponível e precisava verbalmente explicar a sua escolha. Assim, transparente e sem promessas. O requisito é que a comunidade considera aquela pessoa habilitada para a função e o escolhido assume o cargo com o compromisso de dar o melhor de si.

Sofremos com o excesso de fragmentação da informação, que eu venho estudando desde o meu projeto experimental de graduação na UFRJ muitos anos atrás. E foi através de uma vivência pelos meus filhos que percebi que é possível conviver com a fragmentação se formos capazes de aprender a gerenciar.

Lembrei dos bots, aqueles instrumentos que a tecnologia nos trouxe como assistentes pessoais para nossas dúvidas. Se pudermos usar essa fragmentação organizando as informações, acompanhando os resultados daquilo que escolhemos, por exemplo, como nas eleições, o processo democrático teria muito a ganhar.

Aprendi ontem na escola dos meus filhos que estamos ligados todos por fios invisíveis, que quando nos movemos pensando em atingir uma meta, conquistar uma pessoa, um trabalho, não nos damos conta que outras pessoas caminham na nossa direção. Que quando solicitamos ou recebemos uma informação estamos fortalecendo a nossa vida em comunidade.

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