O papel da mãe na sobrevivência da espécie

Nos últimos posts falamos de escola e educação.  Revelamos assim a influência da escolaridade e da atividade de trabalho da mãe na vida escolar das crianças. De acordo com pesquisas realizadas na França, as crianças aprendem mais e têm notas melhores quando as mães estão disponíveis para ajudar no dever de casa. O mesmo não acontece se é apenas o pai que pode dar esse suporte.
O destino escolar das crianças depende do conjunto de características sociais e demográficas do meio familiar. A situação da mãe, o seu nível de estudos e as suas atividades, tem um papel específico e influencia fortemente na transmissão da cultura escolar e na mobilização familiar em favor do bom desenvolvimento escolar das crianças. Por isso é importante ressaltar o papel da família nos processos de desigualdade.

A família, centrada na educação e na promoção social das crianças, implica em uma divisão desigual entre os papeis dos homens e das mulheres. Existe uma tendência estrutural à individualização.

A transmissão da hereditariedade cultural dos pais aos filhos é menos conhecida que aquela da hereditariedade econômica. A primeira é definida e medida menos precisamente que a segunda e é menos facilmente observável. A hereditariedade cultural se completa ao longo do processo de educação, nas mil e uma interações da vida quotidiana, dentro do círculo familiar mas também nos aspectos de socialização que existem a partir da família.

Julia Kristeva lembra que a mulher, como mãe, tem um papel muito especial no processo de educação do indivíduo e representa, na “cultura das palavras”, a ponte que pode interagir entre a sensibilidade e o racional.
É imensa a responsabilidade das mulheres na sobrevivência da espécie. Como se pode preservar a liberdade dos próprios corpos oferecendo condições de vida ideais às nossas crianças? As mulheres nem sempre podem dar valor a si mesmas enquanto os filhos solicitam atenção, cuidado, alimentação adequada.

Cabe às mães a reabilitação do sensível, o contato, a leitura, a canção nos primeiros momentos de vida. Mas aos poucos a cultura da imagem, a sua sedução, sua rapidez, sua brutalidade e leviandade vai deglutindo a cultura das palavras, a narração e o lugar que ela reserva à meditação.

As mães portanto se debatem entre preservar a espécie e o fatalismo a que são submetidas. E se rebelam. Elas dão valor às pequenas coisas, é uma revolta infinitesimal para preservar o caminho do espírito, do afeto, da espécie em meio à revolução tecnológica que atravessamos.

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