Hugo já sabe ler

Todas as manhas, a primeira coisa que Hugo faz é ir correndo até a cozinha e ler o menu do dia do refeitório da escola, que deixamos na porta da geladeira.

– Len-te-jas com ar-roz . Carol! Carol! Hoje comeremos lentejas (lentilhas).

Meu menino de quase seis anos já sabe ler.

É emocionante vê-lo descobrir este mundo novo que se abre. Vê-lo decifrar as letras, sílabas, a formar as palavras que já começam a fazer sentido. Vê-lo compreender os significados, rindo quando entende a piada do seu livro de leituras. Meu menino de quase seis anos já sabe ler.

Aprender a ler é um dos pontos centrais do crescimento de uma criança e com Hugo está sendo um processo bastante tranquilo. Um longo processo que começou no ano passado, ainda no Jardim, quando as crianças aprenderam as sílabas. Este ano, no primário, a coisa ficou mais séria e ele tem um livro de leituras que tem que ler duas páginas diárias. Também tem que aprender uma poesia a cada 15 dias e, uma vez por semana, traz um livro da biblioteca para ler e responder algumas perguntas sobre ele. Fora as outras classes de matemática, inglês, ciências, arte e música. Pelo menos dessas matérias ele ainda não traz dever para casa. Ah, e Educação física, é claro. Acho muito. As companheiras de blog, que levam os filhos as escolas Waldorf, que opinam?

Com o livro da biblioteca, nós ajudamos, lendo para ele na hora de dormir. Mas fácil para compreender e completar o pequeno questionário de quatro perguntas, que também inclui desenhar a parte da história que mais gostou. A leitura é uma atividade diária para ele, pelo menos, por enquanto, sua única obrigação. A verdade é que Hugo gosta de ler e fica feliz quando compreende o que está escrito e percebe que pode fazê-lo sem grandes problemas. Por enquanto, apenas em espanhol. Quando tento que leia alguma palavra em português, ele diz que não sabe. Não forço. Tempo ao tempo.

Mas mesmo com tudo correndo fácil, me preocupo se ele não faz coisas demais. Já sei que preocupar-se é a coisa que melhor sabemos fazer, mas será que ele vai cansar de tanta leitura quando chegar na adolescência? Será que as crianças espanholas são forçadas a um grande esforço quando são pequenas? E isto termina em fastio quando forem mais velhas? As eternas perguntas.

Optamos pela educação pública por acreditar no sistema. Por acreditar que a convivência com crianças das mais diferentes origens ajuda no crescimento de qualquer pessoa. Crianças e adultos. Mas também porque nós temos dificuldades em crer (não sei se esta é a melhor palavra) em uma educação fora dos padrões convencionais.

Admiro de longe a pedagogia Waldorf. O texto

Uma reveladora assembleia escolar de 7 horas

da Luciana Cabral dá uma ideia mais exata do que é este tipo de escola. Concordo com todos os princípios. Acho tudo lindo. Mas na hora de dar o salto, não tivemos coragem. Optamos pelo tradicional e “seguro”, mas as dúvidas permanecem e acho que sempre me acompanharão.

O que me tranquiliza é ver meus filhos irem felizes para a escola. Os dois se divertem, tem amigos, sentem saudade nas férias. É uma escola com forte presença dos pais em todas as atividades. Mas as obrigações apenas começaram para as crianças. E sim, sempre dá tempo de mudar se for preciso. Mas o que será melhor, mudar o sistema desde dentro ou partir para uma educação alternativa?

Minha medida será a resposta das crianças. Por enquanto, estamos bem.

 

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