No dia das meninas, um mundo para todas elas. Nada menos

Sou mãe de dois meninos e de uma menina. Acredito num mundo bacana para todos eles e acordo e durmo trabalhando para isso. Por um mundo que respeite suas diferenças e diversidades, opiniões e escolhas.

Mas esse mundo, especialmente o que se assoma nos últimos tempos, é de cara mais difícil para a minha filha. É um mundo onde as mulheres ainda são acusadas de serem responsáveis pelos estupros que sofrem, não são reconhecidas no trabalho como os homens, não têm voz em muitas brigas. É um mundo que até andou um pouco para frente e agora volta a retrogradar.

Estudo divulgado hoje, dia internacional das meninas segundo não sei quem, mostra um retrato dessa desigualdade no nosso país: o Brasil aparece na 102ª posição dos 144 países pesquisados, ficando atrás de todos seus vizinhos da América do Sul e de países em desenvolvimento, como Índia, Costa Rica, Timor Leste, Colômbia e Gana. O relatório leva em consideração problemas que comprometem o desenvolvimento e independência das meninas, como casamento na infância e adolescência, gravidez precoce, mortalidade materna, representatividade feminina no parlamento e acesso à educação básica.

Como mãe vou educando, conversando e mostrando para minha filha que ela é a verdadeira dona do seu corpo e das suas escolhas. Pode boneca e futebol, pode maquiagem e videogame, meninos e meninas. Mostrando que de partida ela já tem privilégios que muitas garotas não têm, nem terão. Casa, família, escola, livro, comida, brinquedo. Pode sonhar, pode brincar. E pode ser o que conseguir bancar, porque o mar é bravo e a luta grande. E que consiga abrir caminhos e ajudar a tantas outras meninas também.

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