DPP- Depressão pós-p…

O Mães em Rede tem o prazer de publicar mais um delicioso texto da Thaís Braga, de Londres. Thaís é a criadora do blog Maezona e escreve sobre aquilo que mais amamos: visitas !

 O assunto da vez não é depressão pós-parto,meninas, mas pós-partida…

Eu não sei vocês, mas toda vez que recebo amigos e família do Brasil aqui na minha casa tenho momentos de muita alegria, como se recarregasse minha bateria da saudade. Com o passar do tempo ela vai descarregando e ficando fraca. Aí, alguém querido vem visitar, nos enche de amor, e ficamos fortificados novamente.

Como é bom relembrar o passado, desabafar de perto, dar abraços apertados, sentir o calor do corpo, rir de nada juntos, olhar no olho e ter conexão, beijar. Como é bom ver nossos filhos criando laços com pessoas que são tão importantes para nós, que fazem parte da nossa história, que os amam incondicionalmente a partir do primeiro momento. É especial passar por essa experiência e realizar quanto nós abrimos mão, como somos fortes, o quanto temos sorte por termos crescido rodeados de amor e saber que temos com quem contar, mesmo que estejam longe.

A escolha de morar em outro país é nossa, cada um leva consigo uma justificativa, mas a grande maioria pensa no bem-estar dos filhos, concordam? Nas oportunidades que terão, qualidade de vida, na segurança. Infelizmente, como tudo na vida, também existe o lado negativo: a falta do convívio com parentes e amigos, acredito que seja o mais marcante. O que me conforta é saber que eles terão seus amigos e irão criar laços aonde estiverem, e que na realidade, nós, pais, é que sofremos mais a perda, afinal nossos pais, irmãos, amigos de infância ficaram todos para trás, junto com nossas antigas vidas.

Quando recebemos esse carinho de perto com suas visitas é revigorante, para quem tem filhos então, é uma benção! Ter companhia o dia todo e uma folguinha, nem que seja pra sentar no sofá por um tempo e observar, né?

Quando a hora de partir se aproxima, bate aquela nostalgia, todo aquele vazio vem à tona novamente, parece com o dia que nós optamos por deixá-los. o desconforto do adeus temporário, de sei lá quanto tempo.

Por mais que a gente se prepare para o “até logo”, na hora “H” os olhos marejados são inevitáveis, porque sabemos que mais uma vez perderemos momentos juntos, aqueles encontros marcados no mesmo dia para um bate-papo despretensioso, aniversários, domingos em família, natais e outras datas importantes…

As mulheres, mães, normalmente, são mais apegadas as famílias e deixam transparecer com mais facilidade o que sentem, damos ainda mais importância para esses laços e ficamos ainda mais emotivas morando do outro lado do mundo. Por isso, contando pela minha experiência, no dia seguinte da partida das nossas visitas, digo que sofremos de DPP- Depressão Pós Partida! Ficamos com aquele sentimento de tristeza que nos invade por uns dias, aquela melancolia ao arrumar a casa vazia, agora silenciosa; ao se deparar com copos  sujos na pia e uma garrafa de cerveja/vinho vazia da noite anterior, até ao botar as roupas de cama e toalhas extras pra lavar. Cada lembrança é sinônimo de um sorriso fraco no canto da boca, saudoso e conformado.

Ainda bem que depois de um tempo passa, ainda bem que outras pessoas vem nos visitar e nós também vamos ao encontro delas. Que alívio saber que também fazemos novos amigos por perto e como é bom conhecer e se abrir para novas histórias. No final das contas, nossas rotinas continuam independente do lugar em que nos encontramos, dias felizes e tristes acontecem independente das pessoas que nos rodeiam e memórias são criadas de acordo com a nossa trajetória, independente do caminho que escolhemos, no final das contas, percebemos que a Depressão pós-partida é só mais um ciclo da vida.

Comentários

  1. Sinto a mesma coisa!
    A casa fica muito grande e o silêncio é incômoda muito quando todos se vão.
    Um brinde as visitas, que sejam muitas!

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