A péssima mãe.

Às vezes eu não sou uma boa mãe. Normal. Toda mãe pensa isto em algum momento do dia. Mas eu estou falando sério. Conto algumas coisas para que vocês concluam por si mesmos e vejam que tenho razão.

– Eu me confundo com a hora do dentista. Tenho certeza que é às 18h, chego às 18h toda esbaforida e era às 17h.

– Eu  não encasaco meus filhos. Somos os primeiros a tirar os casacos na primavera e os últimos em colocá-los no outono. Nunca consegui que eles colocassem um gorro na cabeça. O cachecol é uma guerra. Quando o frio chega, a ida para a escola vira um problema. Ano passado tive que gritar: “ vou escrever agora mesmo uma carta para o Papai Noel e contar que vocês estão se comportando super mal! Papai Noel não traz presente para quem não veste o casaco!” Eles vestiram, mas eu me senti péssima mãe!

–  Eu não emperequeto a minha filha. Até tentei. Comprei tiara. Ela jogava longe. Compro umas presilhas. Elas (as presilhas) escorrem pelo cabelo fino e desaparecem no primeiro dia. Nos 40 dias que passamos de férias no Brasil, não consegui que Carol se penteasse em nenhum deles. Hugo eu nem tento. Para ir à escola, chegamos num acordo em que ela me permite fazer um rabo de cavalo, que para mim até que está bom, mas se comparo com o das outras meninas da sala – que vão com umas tranças embutidas lindíssimas – o meu singelo rabo de cavalo é – digamos assim – assimétrico.

– Eu não me preocupei quando Hugo começou na escola primária e passou a conviver com crianças mais velhas. Algumas mães da sala me contaram que deram uma incerta na hora do recreio, para ver se estava tudo bem. Isto nunca passou pela minha cabeça. Que ele aprenda a conviver sem minha presença. Resumindo: que se vire! Até agora, tudo bem.

– E muito menos fico encima deles no parque quando estão brincando. Enquanto algumas mães estão ao lado, eu leio o jornal.

– Na aula de natação, maioria das mães não desgruda o olho do filho na água.Eu e outras duas mães do mesmo estilo vamos para o bar do lado tomar uma cervejinha e desfrutamos dos nossos 45 minutos de paz.

– Acho perfeitamente normal que uma criança caia e se machuque. É raro que eu diga, “não faça isto porque você vai cair”. Obviamente dentro do limite que marca o bom senso.

– “Posso usar a faca para cortar a carne sozinho? Não só pode, como deve”

E poderia aqui seguir enumerando meu comportamento de mãe relax. Mas acho que já deu para ter uma ideia.  Contraditoriamente, em alguns lugares, como na praia, ainda repito o comportamento da minha mãe superprotetora e quando percebo que a água chega na cintura, começo gritar:

“Sai do fundo! Sai do fundo!”

Mas acho que é só. Não ser super protetora não significa não ser preocupada. Tento que sejam educados, que aprendam a respeitar os demais, que cumpram com os deveres da escola, que mantenham a curiosidade sempre viva. Que tenham confiança em si mesmos, sem ser arrogantes. Nem sempre conseguimos, nem sempre podemos. Mas acho que continuarei a não ser uma boa mãe ainda por algum tempo.

Comentar