A história de um crime

Esta semana, comunidade brasileira na Espanha assistiu estarrecida e chocada a prisão de Patrick Gouveia, 19 anos, de João Pessoa, na Paraíba, assassino confesso de toda sua família com a qual vivia em Madri: seus dois tios, Marcos e Janaína, e os dois priminhos, de quatro e um ano de idade. Segundo suas próprias palavras, Patrick esfaqueou os quatro, no que aqui ficou conhecido como o . Crime de Pioz. Os adultos, depois de mortos, ele esquartejou, deixando os corpos em bolsas de lixo. Depois disso, foi dormir. Ao dia seguinte, continuou com sua vida. Passado um mês, um vizinho chamou a polícia para reclamar do forte mau cheiro que vinha da casa ao lado. Quando a notícia chega à imprensa, Patrick pega o primeiro avião para o Brasil.

Em um primeiro momento, a imprensa disse que se tratava de um crime cometido por alguma máfia ligada ao tráfico de drogas, dada a crueldade com o qual os corpos foram tratados. Quando as vítimas são identificadas, fica-se sabendo que era uma família de imigrantes mais que normal: o pai estava há dez anos na Espanha, trabalha em restaurantes e atualmente era churrasqueiro em um restaurante argentino. A mãe, dona de casa. A família abrigou o sobrinho, que queria tentar a vida no país. A convivência não deu certo. Foi tão difícil que a família decidiu mudar de casa, indo a uma cidadezinha a 100km de Madri, deixando o apartamento antigo para o sobrinho problemático. Parece ser que isto enfureceu a Patrick.

O rapaz já tinha dado problemas antes. Com 16 anos, esfaqueou um professor dentro da sala de aula. Sua família, de classe média, com vários advogados, pagou um tratamento psiquiátrico. E, aparentemente, levava uma vida de adolescente comum, destes sem muito rumo, mas não muito diferente de tantos por aí.

Quando sua prisão no Brasil era iminente, uma de suas irmãs, advogada, o convence para que se entregue na Espanha. Por que? Imagino que as condições de vida de um preso aqui sejam melhores que no Brasil. Com isto, rapaz pegou um avião como qualquer pessoa e foi preso ao desembarcar. E nós vamos ficando cada vez mais chocados com cada notícia que sai no telejornal. Assistindo a tudo como se de um filme de terror se tratasse.

Não tenho conhecimento para dizer se o rapaz é um louco, um psicopata, um enfermo mental ou simplesmente uma pessoa muito má. Este crime nos faz pensar que algumas pessoas levam monstros dentro e nós não nos damos conta. Como identificar? Como tratar? Como levar para fora da sociedade uma pessoa que é uma ameaça em potencial?

Agora em cada conversa, quando se sabe qual é minha nacionalidade, alguém comenta o crime. A crueldade não é exclusiva do Brasil, nem de qualquer outro lugar, mas parece ser que todos têm uma opinião- como sempre. Quando deixe de ser notícia, isto passará. Imagino. O que não vai passar é angustia maior de pensar nestas duas crianças e na crueldade de um adulto.

 

 

 

 

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