Vida dura nas escolas italianas

Vida de estudante do ensino fundamental na Itália é difícil, uma escravidão de deveres e provas. Apesar de começar bem na educação infantil, com métodos inovadores e que dão muito espaço para a criança se expressar, como a pedagogia montessoriana e o Reggio Children, a partir do primeiro ano a escola vira uma roda viva. Um novo caderno de italiano a cada dois meses, deveres de casa quotidianos que podem durar mais de quatro horas para serem feitos, preparação constante para as avaliações do ministério da Educação, as famosas provas Invalsi, e por aí vai. Mas o que mais impressiona são os livros de férias! Isso mesmo: existe um livro para ser feito nas férias indicado pelos professores. E ai de quem começar o ano letivo em setembro sem ter feito os deveres no verão…

Enquanto no maternal a brincadeira é livre, com um ambiente escolar adaptado às necessidades lúdicas e criativas, no ensino fundamental as classes são tradicionais, sem pátio para brincar no inverno nem brinquedos. As crianças passam a manhã sentados, escrevendo, copiando do quadro, preenchendo questionários, se está chovendo ou ventando a professora não autoriza a ir para o jardim da escola e então os 20 minutos de recreio acontecem também em sala de aula. E é preciso copiar, recopiar, fazer e refazer. Lápis e canetas são consumidos rapidamente.

No método criado por Maria Montessori, a escola deveria ter cadeiras pequenas, janelas e torneiras baixas, acessíveis aos pequenos. O material didático desenvolvido em madeira serve como auxiliar para o aprendizado principalmente na matemática, grande desafio dos professores. No método Reggio, em homenagem à cidade de Reggio Emilia, criado por Loris Malaguzzi, as escolas têm uma praça central onde as crianças de diversas idades se encontram para brincar, correr, inventar. Os professores servem de guia para os pequenos, mas não com a intenção de ensinar, apenas orientar. E o material pedagógico é feito a partir de sobras industriais recicláveis, mostrando às crianças a necessidade de reconstrução a partir do que não serve mais e incentivando um comportamento ecológico e sustentável.

O choque da criançada aos seis anos, quando vão para o primeiro ano do ensino fundamental, é grande. Dali em diante a vida será restrita a quatro paredes, pouca brincadeira e muito trabalho. Livros, cadernos, tanto dever de casa. E a certeza de que não vai ter muito tempo livre. Apesar desse excesso de cobrança, os pequenos italianos do ensino fundamental lêem muito pouco e os resultados nos testes internacionais de qualidade de educação não são muito promissores. O sistema parece tirar a vontade de aprender. IMG_7140

Comentários

  1. Me lembrou bastante o que acontece na Alemanha. Assim como na Itália, até o fim do maternal as crianças podem tudo, a liberdade até exagerada. Mas a partir do primeiro ano escolar espera-se que eles virem uns mini-robôs: estudem e sejam comportados. Tudo é baseado em desempenho, as provas difíceis e a quantidade de dever absurda.
    Na quarta serie, ou seja, aos 10 anos de idade as crianças são ” distribuídas” de acordo com suas notas para três tipos de escolas onde continuarão os estudos. Os alunos já recebem ali um “rótulo”. Pra nós como família foi um estresse grande. Ao contrário da Itália, no entanto, as crianças leem muito. Me lembro que aos 8 anos de idade minha filha já lia livros de 300 páginas, vários por ano, por vontade própria, indicação de amigas… Acho que isso acontecia porque as famílias incentivam muito, os pais leem muito, eles têm o hábito da leitura muito forte no dia a dia deles. E a criança que não lê fica de fora das conversas sobre os livros. Antes de sair de férias as famílias vao às livrarias escolher qual livro casa um vai comprar para ler nas férias. Mesmo já tendo livros de férias da escola, porque esse é considerado “dever”. Não é pra levar em viagem de férias.

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