Muito de mim

Cá estou eu, há exatos 60 dias vivendo em Lisboa, Portugal.

O poço do meu quintal no Capão

O poço do meu quintal no Capão

 

Sou paulistana, nasci e vivi maior parte da minha vida no ritmo cosmopolita de São Paulo. Em 2011, mudei radicalmente meu estilo, e fui morar no Capão, uma cidade rural, no coração da Bahia, 400 habitantes, porém posso dizer que foi a zona rural mais cosmopolita que conheci. Quantas experiências vivi nesta vila, tive o privilégio de trabalhar num Projeto Social maravilhoso, o ICEP, conheci vilarejos muito especiais, dava formação para diretores, coordenadores e professores de escolas municipais. Vivi 1 ano na Bahia, e posso dizer hoje que meu coração é mais baiano do que qualquer coisa.

Sou educadora, trabalhei 16 anos na Escola Santi, na qual hoje sou sócia, em SP, lá foi minha grande escola, pude colocar em prática muitos dos projetos que eu idealizava. Sempre me apresento como uma educadora apaixonada por educação, mas apesar de sócia de uma escola, tenho muitas questões com a instituição escolar e com a academia em geral, mas isso é apenas um detalhe, um tema complexo para me aprofundar no meu texto de apresentação.
Viajar sempre foi meu maior hobby, cresci numa família onde viajar sempre foi um valor, transformar minha vida radicalmente de São Paulo, para um vilarejo na Chapada Diamantina foi muito desafiador, passei a ganhar menos da metade que eu ganhava, mas passei a gastar menos de 1/3 do que eu gastava, e viver com pouco foi um dos melhores desafios. Escolhi alugar uma casa de nativo, aquelas casas bem típicas da Bahia, uma casinha simples e muito especial, eu tinha no fundo do quintal um poço com uma pequena queda d’água, uma mangueira enorme no quintal, e meu vizinho o Sr Zé Maria, que tinha uma das hortas mais lindas da cidade, com ele comprava tudo, até ovo caipira. Com 0,50 centavos de reais abastecia minha semana com as verduras frescas e orgânicas. O posto de saúde um exemplo, lá o médico da cidade é naturalista e trata todos os pacientes assim, recorrendo a alopatia somente quando realmente necessário. Há uma escola pública e uma escola comunitária, a Brilho de Cristal, ao meu ver, uma das melhores referências de escola rural que conheço no Brasil, mas isto também é um outro assunto, dá para eu falar horas sobre isso, mas meu foco aqui é outro. Enfim, como podem perceber, as necessidades básicas eram privilegiadas neste vilarejo, e pensei que por lá eu ficaria por muitos anos.

Arco íris mágicos no Peru

Arco íris mágicos no Peru

Mas o tema zona rural, que sempre me interessou, desde a infância, foi me encantando, e ao fim do primeiro ano do contrato no ICEP, resolvi finalizar o trabalho e tirar uns meses do ano seguinte, 2012, para viajar por alguns países da América Latina. Com uma mochila na costas e apenas duas certezas, a passagem de ida por Buenos Aires, Argentina e a de volta por Guatemala, o resto os encontros me guiariam e a escolha era fazer por terra, de ônibus. Durante os 4 meses que lá fiquei, fiz um blog, paulanomundo.blogspot.com, onde faço muitos relatos das vivências que tive por lá. Voltei completamente encantada pela América Latina e com novos planos.
No meio de tudo isso, meu coração me levou para o Rio de Janeiro, depois da experiência na zona rural, nunca imaginei que voltaria a viver numa grande cidade novamente, mas em julho de 2012 me mudei para casa do meu namorado, que apesar de paulistano, vivia no Rio há 13 anos. Mais uma grande mudança, mantive minha casinha no Capão por mais 6 meses, e no fim do ano me desprendi e trouxe minhas coisas e meu grande companheiro, o Argos, meu labrador para assumir a vida na cidade maravilhosa. Confesso que nas minhas escolhas, o Rio era uma das poucas metrópoles que eu aceitava viver, pela abundância da natureza e pela beleza que até hoje me surpreende, no Rio fiquei 4 anos e meio. Casei, engravidei, perdi dois bebês, vivi muitas dores e muitas delícias e em julho de 2015 me separei. Uma pausa, reflexões, questionamentos e a dúvida se o Rio seria o lugar onde que queria estar. Muitas incertezas, inúmeras as possibilidades, mas a vida sempre se encarrega de ir nos apontando novos caminhos.

Chegando em Lisboa

Chegando em Lisboa

De repente, uma oportunidade, uma proposta de viver em Lisboa, Portugal, meu pai resolveu investir em imóveis e me perguntou se eu não teria interesse em morar aqui, esta pergunta aconteceu em novembro de 2015. Em março de 2016 eu iniciava meu processo de mudança e meu novo parceiro, entrou junto no projeto, coincidentemente Lisboa sempre foi o lugar onde ele desejava morar e dedicar-se a sua carreira de músico na Europa, juntamos as trouxas e termino da mesma forma que iniciei, cá estou eu, há exatos 2 meses vivendo em Lisboa. Eu, Bernardo, meu parceiro e nossa Maria, estou grávida de 5 meses e ela está prevista para nascer no início de Novembro.

A maternidade é um enorme capítulo, tenho 40 anos, minha gravidez é de risco, agora começo repouso, o pré parto, onde e como será o parto, enfim, estes temas são os que tem me ocupado por aqui, fisicamente e emocionalmente.

Um enorme prazer fazer parte desta rede, espero trocar e compartilhar como já citei acima, as dores e as delícias da vida, acredito que é na troca que aprendemos e nos tornamos sempre melhores,

até breve,

forte abraço

Comentários

  1. Paula, que inspiradora tua trajetória. Quis mudar hoje para esse lugar na Bahia, ainda mais com o friozinho aqui no Canadá se aproximando. E Portugal também paira no nosso alvo vez ou outra. Tive a Luna, minha filha com quase 4 anos hoje, aqui. Nasceu também em novembro, de parto natural, com midwife e doula no acompanhamento. O parto foi lindo e ela nasceu bem no dia do meu aniversário, com 38 semanas. Me comovi lendo sobre a tua busca em Lisboa. Queria saber mais sobre ti. Tens Instagram. Tenho o meu: elianarigol e o do meu canal maternity livre…onde conto histórias da maternidade que tenho experimentado.
    Muito amor e lindo recomeço com a Maria,
    Torcendo que tudo ocorra na santa paz.
    Boa hora!
    Eliana
    Ps. vou escrever para mães em rede também…;)

Comentar