Quando você sai do Brasil, mas o Brasil não sai de você

Ja falei isso por aqui, e agora com a crise cada vez mais aumentando no Brasil, muitas famílias estão tentando desesperadamente achar um “país” pra morar.

Tenho visto muita gente não só tentando sair do Brasil e, os que já estão por aqui, estão fazendo de tudo pra ficar. Aqui na Austrália, as cidades grandes são as mais procuradas, mas como a região que moramos é dada como “regional” (leia-se mais chances de conseguirem visto) muitos casais e familías, estão trocando a vida da cidade grande pela vida pacata (parada eles diriam) de uma cidade pequena.

Até aí tudo bem, todos queremos um lugar ao sol, mas e quando a pessoa sai do Brasil, mas o Brasil não sai dela?

Fazer as malas, empacotar caixas, achar uma casa e viajar, é a parte fácil dessa mudança toda. Mas a adaptação daqueles que estão se mudando se torna muito mais difícil se a mentalidade continua igual. Todo processo fica mais complicado se vemos essas diferenças como algo ruim e não como um desafio.

Primeiro a distância, a saudade, a solidão, tudo isso dói, então venha preparado. A Australia é longe pra cacilda, então viajar pra ver a família mais que uma vez por ano é luxo. Mesmo que voce tenha a grana, com crianças, o difícil é ter coragem, a viagem é sem fim, tanto pra você quanto pro seus filhos.

Segundo, a cultura é diferente, mesmo os australianos sendo tão abertos, a cultura é outra.
Se você vem com filhos, as pre escolas são caras e nada parecidas com as do Brasil! Australianos são mais sossegados, não existe escolas com câmeras pra você poder espiar seu filho (eu achei que as câmeras eram por segurança, mas parece que é mais um artifício pra suprir a curiosidade dos pais?!?), o máximo é um email resumindo o dia das crianças. Banho, escovar os dentes, também nao é feito nas creches.

De princípio, você vai morar de aluguel e as regrinhas aqui são diferentes também, a imobiliária tem direito de ter cópias das chaves da casa alugada, (e você não pode fazer copias das mesmas sem permissão ou trocar as fechaduras), com aviso prévio, a imobiliária, pode entrar, você estando dentro ou não, assim como as empresas que precisam fazer qualquer tipo de serviço. Eu nunca me preocupei com isso, lógico que não se deixa nada de valor a mostra, mas o risco que você corre é mínimo, mesmo porque, um encanador, carpinteiro ou profissional do tipo, provavelmente ganha bem mais do que você.
A sua faxineira é sua vizinha, ou mãe de algum coleguinha de classe do seu filho, as diferenças socias aqui, em geral, são pequenas.

São inúmeras diferenças entre Brasil e Austrália, assim como as dificuldades, ainda mais pra quem vem com filhos, então um conselho que dou pra essas familías é: venham com a mente aberta, com o coraçao preparado, e se aventure.

Aqui sempre que a gente pode, nós festejamos a nossa cultura, nossa comida, temos orgulho de onde viemos, esse mês mesmo organizos uma festa junina, mas as vezes temos que nôs abrir para o novo, deixar os pré-conceitos de lado, e viver a nova vida que está a sua frente.

Crianças prontas para a festa junina.....Ou melhor quase....eles nao gostam de sapatos, lembram?

Crianças prontas para a festa junina…..Ou melhor quase….eles nao gostam de sapatos, lembram?

Comentários

  1. Não deve ser nada fácil. Uma coisa é passar uma temporada, outra é estsbelecer-se. Mas como diz o ditado: em Roma aja como os romanos… Só é preciso coragem e determinação!

  2. É isso mesmo Priscila: o Brasil não precisa sair da gente, mas temo lá que abraçar as diferenças. Tem gente que sai do Beasil de reclama de tudo: do povo, da cultura, do clima de onde estão: é como “cuspir no prato que come”.
    Gostei muito do seu texto!

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