Entre pais de autistas na Itália

Em Pisa faço parte do grupo de pais de crianças do espectro autista. Um esforço coletivo para que os filhos sejam iguais a todas as outras crianças, apesar de inevitavelmente eles se comportarem de jeito diferente. Recebemos orientação da Fundação Stella Maris, da Universidade de Pisa, na praia de Calambrone, a minha praia esse ano. Um mergulho na pesquisa para oferecer às crianças autistas, mais ou menos comprometidas, melhor qualidade de vida.

O espectro autista é amplo, significa que existe uma variação de “gravidade” do nível de autismo. Pode ser aquele que não fala nem socializa, como Gaia, 10 anos, sempre com tubos de cola nas mãos e olhar vago. Giuseppe, 8 anos, que se comunica somente com raios de luz. Matteo, 4 anos, que só pensa em números e fala como um adulto, um pouco como meu filho, de 7, identificado como Asperger, que fala e tem inteligência na média – em alguns casos até acima – mas não compreende bem as regras sociais e o sentimento dos outros.

Eles podem ter crises por motivos simples, como o cheiro de um restaurante (aí é um escândalo para entrar, gritos, um sufoco), mudanças de rotina, promessas não cumpridas. Os pais aprendem a driblar essas dificuldades e negociar, respeitar, aceitar. É um percurso lento, trabalhoso, emocionalmente desgastante. Não é manha, a irmã mais nova precisa entender que o irmão mais velho é mais imaturo que ela emocionalmente e precisa ganhar o jogo, caso contrário entrará em crise. A irmã mais velha aprende a ter paciência quando o irmão se desliga em meio a uma atividade coletiva na festa de aniversário e começa a sonhar. E assim seguem as famílias, se adaptando, acolhendo e dando confiança.

Nas escolas italianas os casos de autistas mais graves são acompanhados por um professor de apoio, que fica o tempo todo com o aluno. Nos casos menos graves existem programas especiais de acompanhamento. A qualquer momento pode acontecer uma “descarga elétrica” e eles vão ficar repetindo a mesma pergunta várias vezes. Muito barulho na hora do recreio? Eles tapam as orelhas e procuram um canto silencioso. A professora faz uma pergunta. A resposta não vem, a criança olha além. Muitas vezes o “olho no olho” desestabiliza.

O grande desafio nas escolas e em casa é a desorganização. Carregar vários objetos ao mesmo tempo que teimam em cair das mãos e que ele vai recolhendo, colocar os cadernos dentro da mochila, passar muito tempo encaixando o lápis de cor ou as canetinhas em uma ordem de graduação de cores no estojo, e por aí vai… A troca de experiências entre os pais alivia a sensação de estar errando e colabora para relativizar as crises ou “manias”, permitindo também criar novas táticas de convivência.

 

Comentários

  1. Oi Luciana,
    obrigada por compartilhar tua história conosco. A escola do Hugo e da Carol é referencia no acompanhamento de crianças autistas e fico feliz pelas crianças aprenderem a conviver com todos. Ser diferente é o normal,né? Muitos beijos!

  2. Sou mae de um autista tbm, estamos pensando em nos mudar para Itália, estou bem perdida nao conheço nada ai,mas quero o melhor para meu pequeno, ele tem e 3 anos, tem autismo secundario,veio pela paralisia cerebral… Sera que pode me ajudar com algumas orientações?

  3. Olá meu nome é Silvia e gostaria de saber como faço pra ter informações sobre o tratamento do autismo na Itália! Obrigada!

  4. Eu também quero ter informaçoes para autistas, estou planejando me mudar do Brasil para Italia. Meu filho é asperger.

  5. Olá meu nome é Gisele e meu filho tem 5 anos. Ele e meu marido tem cidadania Italiana e estamos pensando em nos mudar para a Italia. Gostaria se saber mais, pode me ajudar?
    Tem algum grupo no WhatsApp?

  6. Oi Luciana, tudo bem? Meu filho tem 5 anos e temos cidadania italiana, estamos pensando em nos mudar para a Italia, mas nao sei que tipo de ajuda temos como cidadaos, e tambem nao sabemos quall o melhor lugar na Itália para ficar! Poderia nos ajudar com estas duvidas? Obrigado!

  7. Oi Luciana, tenho uma filha de 11 anos autista. Penso em ir para a Italia, por que aqui estudar para ela esta sendo um desafio.
    Como funciona os tratamentos e escola ai na Italia?
    Pode nos ajudar,dsndo mais informacoes?
    Desde ja muito.grata por dividir conosco sua experiência.

  8. Eu li que em Itaboraí, uma cidade do Estado do Rio de Janeiro, existe uma clínica escola muito boa para autistas.

  9. Tenho dois filhos altistas e estou me programando pra ir a Italia até maio de 2020 e gostaria de saber qual regiões e cidades da Italia tem as melhores escola e tratamento para crianças altistas, se auguem tiver alguma informação agradeço desde já.

    Obrigado.

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