É definitivo?

Percebi que essa é a primeira pergunta que me fazem quando digo que estou de mudança. Daqui a um mês me mudo pela quinta vez para o exterior.

E minha resposta foi mudando… No início, respondia prontamente: “serão dois anos.”

Mudou para: “acho que entre 2 e 4 anos”. Evoluiu para: “definitivamente”. E atualmente respondo honestamente: “não sei!”  Cheguei à conclusão de que não há como saber. Não há como planejar, melhor nem tentar!

Já me mudei “definitivamente” duas vezes! Primeiro para a Alemanha  – até casa nós construímos lá – e depois para o Brasil, nossa última mudança. Voltei com minha família para o Brasil “definitivamente” há três anos.

Estávamos decididos que seria nossa última mudança, que nossa filha, então com onze anos, já havia sofrido demais: sofreu bastante aos cinco anos de idade quando fomos para Alemanha pela segunda vez e estava sofrendo naquele momento com nossa mudança para o Brasil. No entanto, três anos mais tarde… aqui estou eu, a louca, me mudando novamente, desta vez para os Estados Unidos.

Minha filha, agora com 14 anos não está nada feliz. Quem no lugar dela estaria? Ela fica abismada, com o fato de várias meninas da turma não entenderem o porque dela estar triste. Dizem que no lugar dela estariam super animadas, imaginam uma High School de filmes de Hollywood e marcas famosas à sua disposição. O que as anima é o consumo. Minha filha não entende: “Mas, e as amizades? Vou recomeçar do zero mais uma vez…”, ela diz.

E eu entendo. Não é fácil… Por outro lado, vejo nela uma maturidade que eu jamais tive tão jovem. Por mais que esteja triste, não vejo revolta, rebeldia. Ela entendeu os motivos de mais essa mudança, absorveu e sabe que não será o fim do mundo. Isso porque o mundo dela é muito mais amplo do que o meu era na idade dela. Uma das minhas maiores preocupações era de que minha filha crescesse sem a referência de um País, de uma Pátria; de que não criasse laços profundos com ninguém e se tornasse uma pessoa sem identidade, sem amigos de infância, por exemplo.

Hoje me preocupo menos com isso. Acredito que os benefícios que todos os “perrengues” pelos quais ela passou superam qualquer consequência negativa. E quando penso em mim mesma, que sempre morei no mesmo bairro até os 30 anos e só mudei de escola uma vez na vida, me convenço mais disso. Sou uma pessoa de pouquíssimos amigos. Amiga de infância, só tenho uma, que considero a irmã que eu não tive. E depois de todas as minhas mudanças, não sinto tanto o Brasil como meu “lar”. Meu lar é onde está minha família e minha casa é minha Pátria Amada.

Nunca houve a obrigação ou a necessidade de nos mudarmos, pudemos ponderar e decidir até aqui, como casal, o que achávamos melhor para o nosso futuro como família.

Acho que isso faz toda a diferença.

E, já que decidimos mudar novamente, que seja definitivo enquanto durar!

Comentários

  1. Vai dar tudo certo! Acho que você já deve ter isso várias vezes. E deve ter aprendido também que sempre dá, né? Boa sorte! Se der tudo certo, faremos uma visita. Beijos

  2. Oi Adriana, muito bacana poder entrar na sua viagem também. E também te ouvir, já experiente em idas e vindas, sobre como crescem as crianças que vivem aqui e ali. Seja bem-vinda. Nos encontramos aqui na rede. Uma linda vida nova para vocês.

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