Pelo direito de ser. Mãe ou não.

MER_fotosSou mãe há 18 anos. E fui mãe três vezes em fases completamente diferentes da minha vida. Em dois casamentos diferentes, em distintas situações na carreira, em níveis de maturidade e inteligência emocional diversos. Tenho três filhos e um enteado completamente únicos, diferentes no físico, nos gostos, nas escolhas.

Ser mãe nunca fez parte do meu planejamento de vida. Quando eu era criança, nunca pensava: “vou ter três filhos”. Pensava só que eu queria estudar, trabalhar e viajar pelo mundo.

Nessa longa e tortuosa estrada como mãe aprendi, com muito sofrimento e alegria, a ser tolerante. A maternidade dá para qualquer pessoa essa benção: seus limites são todos testados e você enxerga que consegue ser mais flexível com tudo. Com a vontade de dormir mais, com a hora de ir ao banheiro, com o dinheiro mais curto para comprar seus livros e planejar suas viagens. Você aprende a enxergar que existe um outro que por um tempo longo dependerá de você, mas que também te ensinará a ver o mundo de outros ângulos e perspectivas. Únicos e diferentes.

Há alguns anos reuni algumas mães em torno de um blog no Globo Online justamente com o intuito de mostrar os zil lados da (pa) maternidade, tão diferente e facetada para tantas mulheres e homens. Há pouco mais de dois anos retomei a ideia com o Mães em Rede, reunindo queridas amigas mães expatriadas num encontro de solidariedade, gentileza e afeto para trocarmos experiências, exercendo nossa tolerância e dando colo.

Essa semana a rede social bolha trouxe uma brincadeira, o desafio da maternidade. E com ele, como não poderia deixar de ser nesses chatos tempos de Fla x Flu online, emergiu a onda implacável da intolerância. Você não pode gostar de ser mãe/pai, você não pode não gostar de ser mãe/pai, você não pode não ter querido ser mãe/pai. Padrões, formatos, modelos.

Na minha vida ( que vai muito além da timeline da rede social bolha ) conheci mães/pais excelentes e mães/pais péssimos. E tive a sorte grande de receber muito afeto, amor e carinho de gente que é mãe/pai e de muita gente que também não é mãe/pai. Gente que sabe se doar e de estar junto quando o outro precisa. E juntos pudemos aprender que podemos e devemos ser tolerantes com o outro e com as nossas diferenças. Por que só assim esse lugar onde vivemos terá a chance de ficar melhor.

Deixe o outro ser o que ele quiser. Isso sim é amor.

 

 

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