Carnaval sem folia pelo mundo. E aí, como é?

MER_carnaval2Passar carnaval longe da folia no Brasil é bom ou ruim? Como foi esse carnaval 2016? Fizemos essas perguntas para as nossas Mães em Rede espalhadas pelo mundo. Confira aqui o que cada uma de nós sentiu dessa vez.

Lívia Frossard

Passamos o carnaval viajando e descansando nas Filipinas. Numa das noites eu cheguei a sonhar que estava tocando tamborim. Era só sonho mesmo…

A pessoa que desfila desde os 11 anos, há nove não passa mais carnaval no Rio… Não vejo uma pluma. Um paetê. Uma purpurina. Uma depressão.

 

Pri Ali

Aqui na Austrália teremos um carnaval no dia 28, mas nem sei se vou. Não ligo muito pro carnaval pra falar a verdade, paulista da gema, né? Mas adorava carro elétrico!!

 

Bia Golzi

Mais um carnaval explorando avenidas diferentes, mais um carnaval que, não fosse pelas redes sociais e notícias nos jornais, mal lembraria que era carnaval.

Já não conhecemos mais muitos dos novos famosos que sambam seminus, ou dos aspirantes à fama que nus estiveram na avenida. Não sabemos mais o que se passa nos inesquecíveis refrãos das escolas campeãs. Não ouvi o samba que falava de Santos, minha cidade que foi homenageada na Sapucaí. Mas Mangueira é campeã, a escola que sempre me emocionou.

Mas de verdade, eu nada vi ou ouvi, só espiei de longe. Estava aqui, bem aqui, viajando pela Indonésia, no feriado de Ano Novo Chinês e pousamos de volta à ilha dos Deuses, no início do Galungan, um grande feriado religioso dos Hindus. Agora serão 10 preciosos dias de preces e oferendas para receber em casa o espírito dos familiares que já se foram e voltam para visitar os que ficaram.

Dias estranhamente belos, com ruas coloridas, inteiramente ornamentadas, com músicas ecoando por todos os lados, sorrisos de devoção, de amor, de gratidão aos antepassados. Mas a festa é outra, não toma conta do corpo, não tem gingado, não tem euforia, não tem cuíca, não tem cavaquinho, nem tambor. Só a beleza que se expande dos sorrisos de quem estabelece pequenas doses diárias de contato com o mistério, somada à estranha sensação de ter por perto os que já não vemos.

Já são seis anos sem carnaval. Não reclamo, mas é importante dizer ao senhor, seu Carnaval Brasileiro, que você é parte da minha religião. O samba ainda visita essa casa, o gingado ainda habita os nossos corpos. Um dia desses ainda organizamos a vida para, em um fevereiro qualquer, estar perto da nossa tribo e transcendermos juntos pelo simples fato de estarmos vivos.

 

Luciana Doneda

Esse ano não foi igual aquele que passou. É o bom do carnaval, uma festa que pode nos levar a mergulhar na histeria coletiva da felicidade sem limites ou simplesmente se fechar na concha e refletir sobre a vida. Na Itália tem carnaval sim. As crianças se fantasiam e jogam confetes e serpentinas. E comem frittelle, bugie. Doces fritos com açúcar por cima. Adoçar a vida.

A palavra carnaval vem do italiano. É dar espaço pra carne e pro prazer. Viver intensamente. O carnaval me deu o maior presente da minha vida. Nele conheci o pai dos meus três filhos, em um bloco de rua em Ipanema. O “Simpatia é quase amor”.

Esse carnaval choveu muito aqui na Toscana. A festa foi cancelada em muitas cidades. É inverno, faz frio. Mas todas as escolas festejaram, fizeram máscaras, jogaram serpentinas nos corredores. Meu filhos aprenderam nesse carnaval que a felicidade pode ser só uma meta, nem sempre é a realidade.

 

Raquel Almeida

Passei sem carnaval, de novo. Mas não sofri. Estava com os meninos em Buenos Aires, curtindo a última semana de férias deles aqui conosco. Foi um carnaval delicioso, poder estar com eles, vivenciando outro país, viajando em bando como não fazíamos há um bom tempo.

Já desfilei em escola, ia aos blocos, assistia aos desfiles na Sapucaí, trabalhando ou não. Nasci em Madureira, berço dos portelenses, mas sou Mangueira desde menininha, por influência materna. Na infância, com os primos, antes do Natal já sabíamos todos os sambas e enredos das escolas.

Hoje, confesso, não sofro pela ausência do carnaval na minha vida. Nos últimos anos no Rio as experiências não estavam sendo agradáveis. No bairro onde morávamos tínhamos a sorte de poder curtir muito do carnaval de rua. Mas a falta de educação das pessoas com o ambiente coletivo foi nos desanimando. Por fim, fugíamos da rua, especialmente porque os meninos não davam a mínima para a folia.

Chegamos na terça de carnaval em Campinas e o clube que fica na esquina tocava um sambinha discreto na matinê. Até me animei a ir, cantarolei alguns sambas, dancei no meio da sala, mas estavam todos cansados pelo retorno de viagem. E fui vencida pela maioria doente do pé.

Rosane Marinho

Durante algum tempo eu odiei o Carnaval. Para os jornalistas, é a época do ano com mais trabalho. Mas não era do excesso de horas de trabalho que vinha o cansaço. Vinha do chefe histérico que gritava sem parar. Vinha da competição entre os supostos colegas. Tudo valia pela primeira página.

Hoje sigo trabalhando no Carnaval. Mas trabalho porque na Espanha não é feriado. Na sexta-feira gorda, as crianças têm festa na escola e dançam fantasiadas com um tema comum. O deste ano foi Alice no País das Maravilhas, porque se comemora os 100 anos da publicação do livro. Sábado e domingo tem festas pelas ruas da cidade, gente fantasiada, desfile. Nada que se compare com o nosso Carnaval de rua, mas também é lúdico e os meninos adoram. Vendo na distância, sofro de saudade do Carnaval carioca. Os amigos me enchem o whatsapp com fotos e videos dos blocos e adoraria estar lá com eles. Reencontrar um Carnaval que, quando me despedi, não gostava nada e não pude aproveitar o quanto pode ser também bom. Reencontrar o melhor do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

 

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