Não temos mais bebês!

Esta semana comecei a arrumar algumas coisas que levarei para as férias de fim de ano no Brasil. Um das mais importantes é o carrinho de bebê que tanto Hugo quanto a Carol usaram. Um excelente carrinho, que agora vai levar a mais um lindo menininho. Quando terminei de embrulhar tudo pensei: “acabou!” O carrinho era o último objeto de bebê que tínhamos nesta casa. Todos os outros: a banheira, a cadeirinha de balanço, a do carro, as roupinhas, o berço de casa, o berço de viagem, enfim, todos os imprescindíveis já foram para outros donos. As chupetas para o lixo (embora Hugo pense que na verdade veio um passarinho e as levou para os seus filhos, que precisavam mais que ele). Mamadeiras nunca usamos muito. Os meninos praticamente pularam do peito para o copo, mas, mesmo a que tínhamos, também partiram para outras vidas. Já tem mais de um ano que não compramos fraldas e já nos livramos até mesmo do peniquinho. É oficial: não há mais bebês nesta casa!

E ao pensar nisto, me entrou certa melancolia. Não há mais ninguém engatinhando pela corredor. Nem aquelas roupinhas que de tão lindas dá vontade de ter uma igual. Não há mais aquele cheirinho de talco, de hipogloss, de colonia depois do banho. Não tem mãos gordinhas de pé no berço, nem dobrinhas para morder na hora do banho. Mas também confesso que minha nostalgia passou rápido. Cinco minutos depois, estava dando pulos pela sala: NÃO TEM MAIS BEBÊS NESTA CASA!

Sim, bebês são lindos e queridos, mas dão muito trabalho! Noites sem dormir, rotinas  rigorosas, sempre com o tempo marcado pela hora do peito, da comida saudável, das trocas de fraldas. Ah! As fraldas! Sempre na bolsa. E também as toalhinhas úmidas e o trocador. Nunca sair sem eles. Nem para ir na esquina. Senão corre o risco de fazer malabarismos nos lugares mais estranhos. E como sair com tempo ruim? Vento demais? Frio demais? Calor demais? E olha que sempre me considerei uma mãe sem frescura, que topa tudo. Mas mesmo assim, os limites da aventura não é mais você quem coloca. Comida sempre é um caso à parte. Eles, é claro, não comem qualquer coisa. Sempre andando com comidinhas feitas em casa ou, na falta de opção, com os benditos potinhos.

E nem quero te contar a dureza que é ter dois pequenos com pouca diferença de idade. Um engatinha e o outro já corre. E como corre! De repente você se vê no parque pensando no filme a Escolha de Sofia: se cada um correr para um lado, vou atrás de quem primeiro? Felizmente as pracinhas da vida são lugares de máxima solidariedade e sempre tem outra mãe que diz: “- Vai tranquila que eu fico de olho!”

Andar com bebês em carrinhos para todos os lados também signfica nunca mais usar escada rolante. Sempre tem que esperar o elevador. E na fila de tantos elevadores, você vai aprendendo a catalogar os vários tipos de pais: os que levam a avó a tira colo, sempre com a criança super agasalhada. Os de terceira e quarta viagem que nem olham se o mais velho está metendo o dedo do irmão na tomada. Os pais de menina de primeira viagem, que vestem a pobre como um bolo de noiva. Os cansados tecnológicos, que já dão um telefone para o bebê de nove meses brincar. E as onipresentes olheiras em todos eles. Adeus elevador! Viva a escada rolante!

Mas dizem que filho é que nem video game, acaba uma fase e começa outra mais difícil. Não sei. Já estamos vivendo esta nova etapa da infância e, como em todas, também tem seus perrengues, mas é bem mais divertida. As brincadeiras, as perguntas, os beijos carinhosos, a curiosidade por tudo e por todos. Amo vê-los crescer e crescer também com eles. Porque se eles pudessem, creio que também diriam: minha mãe também não tem mais bebês em casa! Viva ela!

 

 

Comentários

  1. Adorei Ro!!! E a descrição dos pais no elevador é perfeita. Principalmente na Europa. Somos tão diferentes, cada um com jeito de cuidar, vestir, sair, criar. Mas confesso que, bem de vez em quando, ainda sinto saudades do tal bebê. Beijos

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