Chengde, a Petrópolis Chinesa

Os chineses têm dois grandes feriados que servem como suas férias anuais. Um deles é o feriado de ano novo chinês, em fevereiro. O outro é o “dia nacional”, que comemora a fundação da República Popular da China no dia primeiro de outubro. Por uma semana, até o dia 7 de outubro, toda a população celebra a “Semana Dourada” viajando pelo seu país fazendo turismo. Nesse ano, foram 500 milhões de chineses pelos maiores marcos turísticos do país.

Se “em Roma como os romanos”, resolvemos viajar pela China aproveitando a companhia animada dos amigos que também queriam conhecer a “Petrópolis” chinesa, Chengde.

Pela estrada, seguindo a muralha.

Pela estrada, seguindo a muralha.

O lugar foi escolhido em 1703 pelo imperador Kangxi, o segundo imperador da dinastia Qing, para servir como local de veraneio para a família imperial, que assim evitaria o calor insuportável da Cidade Proibida durante o verão. Cercado por montanhas, o local era seguro e permitia aos manchus praticarem a caça e as artes marciais com relativa tranquilidade.

Já percebemos que a viagem seria uma aventura quando chegamos na rodovia, bastante engarrafada e com muita gente parando no acostamento para descansar. A primeira parada após umas três horas estava completamente lotada. Estávamos mortos de fome e precisávamos usar o banheiro, muito sujo e mal cheiroso. Em relação a comida, poucas opções. Alguns biscoitos na lojinha de conveniência, picolé de milho ou aveia ou então, dumplings, os pastéis chineses cozidos no vapor – que não estavam muito bons. Sorte q eu tinha um pouco de pão, queijo, biscoito e Ovomaltine.

O resto da viagem transcorreu com mais engarrafamento ainda, inclusive dentro da cidade de Chengde.

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Pelas pedras do hotel

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No jardim do hotel.

Foi um alívio chegar ao nosso hotel, parte do complexo do palácio e que manteve arquitetura original, com alguns dos quartos voltados para praças centrais. Já o nosso quarto ficava numa ala nova, moderna e bastante confortável. As crianças não se cansavam de correr pelos jardins e escalar as pedras ornamentais.

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Carrinho de bate-bate.

Saímos em busca de um dos restaurantes recomendados e acabamos encontrando um parque bacana ao longo do rio. Lá, as crianças descobriram a maior atração que Chengde poderia oferecê-las: carrinhos de bate-bate. Passamos horas lá até que a fome apertou e fomos atrás de dumplings, dessa vez deliciosos.

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O mundo pela ponte.

Flauta à beira do rio.

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Putuo Zongcheng Temple

No dia seguinte, passamos a manhã descobrindo o palácio. Isto é, a parte que podíamos ver apesar da multidão. Naquele momento, compreendi a expressão em francês que diz “il y a du monde” (há o mundo). Estávamos cercados por uma quantidade enorme de pessoas. Por isso, decidimos nos refugiar no pedalinho e percorremos os lagos tranquilos do palácio. Tranquilos, mas nem tanto porque todo mundo teve a mesma ideia. Depois de quase uma hora pedalando, partimos rumo aos pequenos ônibus que fazem o trajeto circundando o palácio pelas montanhas. Uma espécie de montanha russa com paradas para tirarmos fotos das belas vistas dos templos vizinhos.

Um acordo com as crianças nos garantiu bom comportamento durante o passeio e o almoço em troca de irmos ao parque dos carrinhos mais tarde. Assim, conseguimos novamente comer dumplings e ver o entardecer ao lado do rio, com direito a horas de brincadeiras com os bate-bate.

À noite, as crianças ainda se divertiram pelos jardins do hotel e com os jogos que haviam trazido enquanto os adultos organizaram um lanche com guloseimas trazidas de casa e, claro, cerveja gelada do restaurante do hotel.

Felizmente, na volta não tivemos engarrafamento e chegamos a tempo de tomar mais uma cervejinha e almoçarmos no Charcoal, restaurante aqui ao lado de casa. Depois de três refeições de dumplings, nada melhor do que um hambúrguer suculento.

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