As dez coisas que aprendi em seis meses vivendo fora do Rio

Seis meses já se passaram. Chegamos no outono, enfrentamos o inverno, já é primavera.

Passou rápido, fizemos muita coisa nesses 180 dias. E aprendi muito. Gosto de listas e faço uso abusivo delas para me organizar na minha dispersão diária e rotineira.

Eis aqui a lista-balanço desse tempo curto e intenso:

1. As raízes e a memória estão com a gente, não estão enterradas, nem guardadas em nenhum lugar. Vou continuar sendo “do Rio” estando em qualquer parte desse mundo.

nós seis

2. A distância afasta você das pessoas queridas. Muito. E é difícil manter a intimidade com elas sem falar todo dia, sem sentir o cheiro ou olhar no olho. Não tem tecnologia que dê conta. Mas você aprende a valorizar os momentos que consegue ter. E não morre por isso.

3. Não vou fazer amigos aqui como os que fiz a vida inteira. Já passei dos 40 e minha disposição e necessidade já estão mais controladas. Isso não me impede de ter esbarrado com pessoas do bem e queridas que ajudam bastante na adaptação à nova vida. Não é bom, nem ruim, é só diferente.

4. Em Campinas, como os campineiros. Não adianta se revoltar com a cultura local. Aqui o almoço e a janta são cedo. O povo anda de carro para ir na padaria e vai ao shopping como se vai para festa. Mas eu não preciso fazer igual. Posso ir para a yoga de chinelo, sair de cabelo molhado. E tá tudo bem.

leblon

5. Quando você volta para o Rio, no meu caso a cada 15 dias, você não consegue fazer tudo que gostaria, nem encontrar com todos aqueles de que sente falta. Se tentar, acaba tendo um fim de semana de horror, correndo de um lado para o outro. Um programa por dia. É o que cabe.

6. É possível viver com menos. Ter uma bagagem mais leve. Lavar roupa só duas vezes por semana. Comer menos carne e mais fruta. Relaxar com a poeira em cima do móvel.

7. A Unicamp é uma universidade com muitas possibilidades de produção intelectual e com muitas oportunidades a se explorar. E estou muito orgulhosa do meu esforço para estudar lá!

Ibirapuera

8. São Paulo é perto de Campinas, mas é longe. Não dá para ir lá todo dia, mas dá para ir lá toda vez que você quiser um programa diferente, aproveitar o Ibirapuera, encontrar um amigo.

9. Campinas tem muitas árvores lindas, ipês coloridos e pássaros que cantam o tempo todo aqui na minha janela. Tem violência e poluição também. Tem tempestades horrorosas e perigosas, de muitos raios e trovões. Tem um horizonte monótono, mas com um por de sol lindo, como o dos Dois Irmãos.

 

campinas por do sol

10. Mudança não se planeja, se vive, dia a dia. E só assim você enxerga o que de fato mudou.

 

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