De Kuala Lumpur para o Maes em Rede

Um grande prazer apresentar outra super mãe convidada: Maíra Dias Botelho de Magalhães, que  conta um pouco para a gente como é a vida em Kuala Lampur, na Malásia, com seus quatro filhos. Obrigada Maíra por compartilhar tua história!

 

Meu nome é Maíra. Sou carioca de nascença, mas brasiliense de coração e de vida.  Sou brasileira, mas tenho nacionalidade francesa, pois uma de minhas avós veio da França para o Brasil quando jovem para tocar sua flauta em uma orquestra no Rio de Janeiro. Ficou por lá e teve seus 6 filhos com um paulista de nascença, mas mineiro de todo o resto!

Tenho 36 anos, sou casada e tenho 4 filhos. Moramos na Malásia há 1 ano e dois meses.  A vida me levou a outros lugares também; na adolescência, morei em Londres e em São Paulo. Como jovem adulta, já com meu companheiro, João, moramos em Boston, onde nasceu nossa primeira filha, Nina, que hoje tem catorze anos, e depois em Nancy, na França.

Quando engravidei do nosso segundo filho, Gabriel, que hoje tem sete anos, decidimos que eu me dedicaria totalmente às crianças e à casa. Profissionalmente, eu dava aulas de inglês. Estudei primeiro filosofia na universidade, mas larguei na metade para tentar estudar no Estados Unidos – foi aí que engravidei. Mais tarde, fui estudar literatura em língua inglesa e francesa e, finalmente, me formei como professora. Mas antes de tudo isso, estudei muita música, toquei alguns instrumentos, cantei em vários corais, participei de musical e dancei muito: ballet clássico por 15 anos, mas também contemporâneo, e, mais tarde, dançaterapia.

Após o nascimento do nosso terceiro filho, Iuri, hoje com quatro anos e nove meses, comecei a desejar voltar a ter mais contato com o mundo adulto, ver outras pessoas e ter uma profissão novamente. Mas aí a vida me levou a lugares mais distantes ainda dentro de mim mesma: crise medonha no casamento, descontentamento de ambas as partes. Alguns meses depois, eis que engravido novamente! E toda aquela vontade de produzir, criar, toda aquela energia, voltou-se para a gestação e para o bebê que chegaria.

Quando Benjamin – hoje com dois anos e nove meses- chegou, meu marido e eu estávamos no limite e nos separamos de verdade. Foi muito triste ter aquele bebê lindo, mas não ter mais a família unida. Porém, foi talvez um dos momentos mais preciosos da minha vida, quando finalmente compreendi que minha tristeza era só minha e que somente eu poderia me recuperar e me ajudar.  Com todo o apoio da minha família, entrei em um trabalho profundo de recuperação que mudou minha vida. E após um ano de separação, nos casamos de novo (!), e ele pegou seu primeiro posto fora do Brasil aqui em Kuala Lumpur.

Costurando essa história toda e voltando ao presente, hoje meus quatro filhos estão na escola. O caçula tem 2 anos e 9 meses. Está na escola há um mês e, desde então, posso dizer que tenho tempo livre! Como não temos babá, nem empregada que durma (aliás, não temos ninguém no momento), nem família nem nada, somos eu e papai pra tudo. A irmã mais velha dá uma força e até faz baby-sitting (pago!) pra gente dar umas escapadinhas de vez em quando.  Mesmo curtindo muito as crias, é uma canseira lascada, e confesso que às vezes dá vontade de fugir. Mas ao mesmo tempo, como venho cada vez mais tendo o meu próprio tempo, tenho conseguido ficar mais equilibrada nessa nossa rotina de malabarismo.

Pratico yoga regularmente há pouco tempo, pouco mais de dois anos, mas é algo com o qual tenho muita intimidade e que me dá muito prazer. Voltei a estudar e, como adoro mulher grávida, parto e amamentação, e sou louca por bebês e crianças, bolei um grupo de yoga pré-natal e partilha. Adoro estar no meio de mulheres e conversar sobre nossas questões.

É com muita alegria que começo a colaborar com o Mães em Rede. Espero reencontrá-las por aqui em breve!

Comentários

  1. Oba! Poder ouvir a voz da Maíra, mesmo que virtualmente, é um presente. E ainda mais contando como é a vida em um país tão distante e diferente do Brasil…vai ser uma experiência muito boa, com certeza. Feliz por te ouvir! Essas histórias de força, superação, admitir as fraquezas e as dores e procurar saídas são o que precisamos para entender melhor o mundo onde estamos e como podemos fazer para viver melhor. Obrigada por nos oferecer isso.

  2. Maíra sua história é linda e você é uma mulher guerreira e maravilhosa. Feliz por voce, saudades suas e vou te acompanhar por aqui. Beijos, minha amiga!

  3. Conheço a Maíra, na verdade, conheço uma grande guerreira. Que bom ela poder passar essa experiência de vida para outras pessoas. Torço muito por esse novo reencontro com o João e pelo caminhar desses filhos lindos. É isso aí Maíra! Grande beijo!

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