Quanto você paga de material escolar?

Neste começo de ano letivo no Hemisfério Norte, o assunto do momento entre todas as mães é quanto cada uma gastou com os livros e todo o material escolar para seus filhos. Muito, pouco, nada, em cada país encontramos uma solução distinta.

E na tua cidade, quanto custa mandar um filho (ou vários) para a escola?

Ana, Londres, Inglaterra.

Desde que saímos do Brasil Lucca estuda em escola internacional, e tanto em Madrid quanto em Milão  o custo do material já estava embutido na mensalidade. Só os livros para leitura é que tivemos que comprar nesses anos.

Chegando em Londres, a história foi completamente diferente, a escola que Lucca estuda desde o ano passado faz tudo no Ipad, e  a compra do equipamento  foi nosso grande investimento até agora.  Às vezes temos que comprar alguma app, para a realização de um trabalho ou uma tarefa. Não é algo que me agrada e  durante a visita à escola, quando a  a assistente do diretor, com orgulho, mostrou o espaço seria destinado   biblioteca sem um livro, acho que minha expressão foi de tamanho espanto e indignação, que ela nem finalizou sua frase e já emendou: “mas se os estudantes quiserem ler o livro em papel damos um jeito e ele terá o livro nas mãos. Além disso vamos a biblioteca pública com eles com frequência.”

Ficou como nossa lição de casa não deixar essa relação deliciosa e apaixonante, do descobrir o livro ao folheá-lo página a página para nós.

 

Beatriz Dale, Dubai, Emirados Árabes

Não gastamos nada. Todo o material que meus filhos usam é desenvolvido pela própria escola. E todos os livros estão disponíveis na biblioteca escolar.

 

Beatriz Golzi, Bali, Indonésia

Nada. Na Green School (Escola Verde) a ordem é reciclar. Todo o material é feito pelos próprios alunos e eles aprendem a reaproveitar tudo o que podem. Os alunos de terceiro ano fizeram até um projeto para eliminar as toalhas de papel do banheiro.

Livia, Pequim, China

Nada. As crianças ganham todo o material escolar na escola, inclusive os cadernos. Estes são bem simples, elas não gostam muito, mas usam mesmo assim. Também não utilizam muitos livros, no máximo, algumas cópias. No mais, a biblioteca da escola tem tudo o que se precisa.

Madá, Princeton, Estados Unidos

Optamos por colcar as crianças em uma escola Waldorf e todo o material é fornecido pela escola, mas eles também não descriminam quanto da mensalidade é gasta para este fim.

 

Para meu filho que começou agora, a escola pede aos pais para fazerem (e no “mundo waldorf” isto quer dizer, com as próprias mãos) : uma sacola para roupas extras, um estojo para os gizes de cera, um jogo americano e um guardanapo de tecido, para limpar

 

Como a escola é uma organização sem fins lucrativos (leia-se a mensalidade não cobre todos os custos da escola), algumas atividades como: organizar a classe, lixar as mesas e aplicar selante, preparar o jardim da escola (plantar, arrancar mato, colocar adubo), consertar brinquedos ou itens que precisam de manutenção, doar alguns itens para a classe (xícaras, roupas para eles bricarem de fantasia, plantas…) tambem são feitas pelos pais em um dia especial, antes do início das aulas, onde cada familia se dispõe a doar seus talentos e suas mãos para prepar a escola para a chegada das aulas.

 

O investimento financeiro não e muito alto, mas o trabalho físico e o envolvimento pessoal são bem significativos! Mas com isto esperamos ensinar as crianças que todas as coisas tem um valor e não apenas um preco!

 

Algumas amigas optaram por enviar os filhos à escola pública do bairro. Elas também não gastam nada. O ensino, o material escolar e o transporte são de “graça”. Digo com aspas porque na verdade eles são pagos com o imposto sobre imóveis, o iptu local. É um imposto bem caro, semelhanto ao custo anual de uma escola privada top de São Paulo. Mas, se você tiver mais de um filho, este custo já se dilui.

 

Priscila, Sunshine Coast, Austrália

Meu filho mais velho, Noah, ainda está na pré-escola, que aqui em é bem cara, entre 80 e 120 dólares australianos por dia (entre 220 e 270 reais no cambio de hoje), o que impossibilita que ele vaia todos os dias. Em compensação, não compramos nada de material escolar. Tudo é reciclado. Além disso, os alimentos servidos no almoço são cultivados em uma horta pelas próprias crianças.

 

Raquel, Campinas, Brasil

Com três filhos com diferença de idade de no mínimo cinco anos, fiz as contas e descobri que vou ficar por 23 anos na gincana do material escolar e gastar, no mínimo, US$ 10 mil nessa função. Sim, aqui no Brasil, infelizmente é assim: listas de material e livros extensas, muitos livros com edições anuais que não podem ser reaproveitados para atender em parte o interesse da máfia das gráficas que não deixa que as edições digitais vinguem. Por aqui, não se gasta menos de R$ 1 mil com um aluno no ensino fundamental (6 a 14 anos). Nos dois primeiros anos do ensino médio, isso pode chegar a R$ 2 mil. Para tentar economizar um pouco, você corre de um lado para o outro, mas só consegue economizar centavos pq a diferença existe apenas em cadernos e materiais afins. Os livros são tabelados.

 

Na periferia desse cenário, surgem os serviços de conveniência: “compro a lista, encapo e etiqueto os cadernos e entrego tudo em casa para você!” Cheguei a experimentar em um ano em que estava enrolada demais com o trabalho e cansada da correria. Mas as culpas de não escolher a capa dos cadernos, nem passar uma tarde de domingo de verão encapando e etiquetando tudo bateram forte. E, somadas ao custo extra da conveniência, me fizeram desistir.

 

Na escola de Campinas, onde Helena ainda cursa o Infantil, a taxa de material é parcelada ao longo ano ano, junto com a mensalidade. Eles usam apostilas da própria escola, mas continua saindo caro (cerca de R$ 800), mas vc sente menos e acha que não está pagando. Os livros de leitura são comprados a cada mês e é legal poder escolher da lista e comprar com ela.

 

No colégio do Rio onde os garotos estudam, a própria escola criou um pequeno sebo nas ultimas semanas no ano para a troca de material reaproveitável. Uma pequena iniciativa que pode florescer, em especial, se houver mais consciência das famílias para a redução do consumo. Enquanto isso, vamos tentando, sabendo que pagamos muito mais do que seria necessário de fato investir.

 

 

Roberta, Santo Domingo, República Dominicana

 

Tenho dois filhos na pré-escola e não compro material escolar. Tudo é fornecido pela escola, o custo está embutido na matrícula, mas não sei dizer que valor corresponde ao material que eles usam.

 

Rosane, Zaragoza, Espanha

Com dois filhos no Jardim de Infância em um escola pública (Hugo no Jardim 3 e Carol, começando o Jardim 1) gastei um total de 130 euros (548 reais no cambio de hoje). Eu acho muito, porque afinal, o que são livros de verdade, eles ainda não usam. Mas sim tem muito material didático e de papelaria.

 

Este é um gasto que só tende a crescer, pois os pais com filhos já na escola primária estão gastando uma média de 150 euros por criança (632 reias).

 

Aqui na Espanha, por causa dos cortes feitos nas ajudas econômicas às famílias, é muito difícil conseguir um apoio financeiro para  comprar de material escolar. Somente as famílias com todos os pais desempregados conseguem. Pelo menos isso.

Para paliar um pouco a situação, as associações de pais de cada colégio costumam organizar um banco de livros. No final do ano escolar, cada família doa os livros que estiverem em bom estado para o ano seguinte. Se você doa um livro, pode pegar outro para usar este ano. Um ótimo jeito para incentivar às crianças a cuidarem dos seus livros. Pena que os políticos não colaborem muito e cada novo governo promove uma reforma na educação e a produção de novos livros… enfim, alguém deve ganhar bastante dinheiro com isto.

 

 

 

 

 

Comentar