Nosso Ceilão

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A escolha do destino para as férias aqui em casa sempre passa pelo filtro inicial que descarta uma série de destinos prováveis. É preciso haver natureza, um certo descompromisso e estranheza, aventura. Esta peneira filtra as capitais e nos leva ao interior, ou a países exóticos que talvez jamais visitássemos se não fossem tão perto daqui.
Esse primeiro parágrafo me parece um tanto vencido para publicar no blog em setembro, peço desculpas. Ainda assim, não pude deixar passar em branco a experiência deste verão.

Ao Ceilão que trataram de mudar o nome para Sri-Lanka, fomos todos. Na mala levei a despretensão, a expectativa, o apetite e muito cansaço.
Já no aeroporto me agradei do sorriso das pessoas e me vesti daquele verde que pintava os canteiros. Deu vontade de tirar a roupa. A minha e a das crianças, pra gente se lavar com aquela luz colorida, tão diferente do meu deserto.

À medida que o carro avançava no trânsito caótico de Galle, fiquei perdida em todas as imagens que arquivei na vida e troquei as figurinhas de álbum. Era mesmo o Ceilão ou o subúrbio do Rio? Espera.
Ali… bem ali, vende-se peixe fresco estendido no chão, na beira da praia… Búzios? Me perdi num buraco, uma dobra no tempo, uma outra dimensão onde havia o motorista, meus dois filhos dormindo e o Pedro concentrado no Google maps para ver quanto tempo mais até a Pousada.

O pouso era uma casa linda, que se chama de boutique, mas não precisa. Venezianas de madeira branca, bananeiras no meio da sala sem teto, cortinas de chuva fresquinha, livros, velas, e um time de gênios a nos satisfazer muito mais que três desejos.

Lá vivemos dez dias. Não havia outros além de nós.

Vimos a beleza do budismo, exploramos os caracóis que descansavam no poço, colecionamos côcos, galhos, conchas. Foi delicioso andar de tuk tuk e só comemos o que o mar nos dá. Conheci os stick fishermans, que até onde sei, só tem por lá. Joguei nas crianças um monte de bênçãos na praia, debaixo de um teto de estrelas. Me lavei com chuva, pisei com eles na poça. Bebemos chá branco, verde, vermelho e amarelo. Peixinhos cor de laranja nos massagearam os pés, e a gargalhada da Antônia sentindo cócegas vai me inundar as orelhas… até a velhice.

Passei algumas noites em claro, ouvindo as ondas fortíssimas que cantavam na praia e rezei pra não ter Tsunami. Tive tempo pra olhar com detalhes o cabelo, as rugas, o sorriso, as mãos, a cor dos olhos do Pedro e transbordei de amor. A caminhar pelo forte construído pelos portugueses em 1504, achei corajosos aqueles patrícios a navegar o Índico, traiçoeiro que é, sem os recursos de hoje. Belisquei e comi inteiro o espírito deles pra quando precisar encontrar mais motivos para partir outra vez.
Quis ficar mais uns dias, visitar o coração dali, onde dizem haver força incomparável por aquelas paragens. Não havia mais tempo. Kandy fica a cinco horas de Galle e tudo que não combinava era aborrecimento com estrada e trânsito. Ainda haverá tempo para voltar ali antes que seja longe da nossa próxima casa. Assim espero.

Voltamos pra casa com o Ceilão dentro de nós.

Pousada: arabellaonboossa.com/

 

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Comentários

  1. Sou irmã da Gabriela, amiga da Denise, de quem gosto muito e sou amiga no FB. Acabo de receber este artigo e fiquei muito interessada em podere entrar neste seu BLOG.
    PARABÉNS !!!! bj, Batize

  2. Bia
    Agente se viu mto pouco, mas pela Denise estou sempre sabendo de vcs.
    Muito muito linda a sua descrição da ” maravilhosa” viagem ao SriLanka!!!!!
    Poesia pura! Amor, companheirismo, Paz!!
    Parabens e um beijo
    Helô

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