A segunda parte é a melhor

MER_vidadeoutraAssisti no Netflix ao filme “A vida de outra mulher”, com Juliette Binoche. A história fala de Marie, uma mulher que se perdeu dela mesma, e quando acorda um belo dia não se lembra dos últimos 15 anos que viveu. Não se reconhece na grande e fria executiva que se tornou. E ainda guarda na memória o amor pelo marido — de quem está se separando — como no primeiro dia em que se encontraram.

Chorei. Será que não é isso que fazemos com nossas vidas? Acordamos sem nos reconhecermos naquela pele, naqueles atos, naqueles medos que embolam tudo. Marie teve uma segunda chance de resgatar quem ela era, de tentar fazer diferente. Mas precisou um dia acordar. E como realmente não se lembrava de nada, pôde agir como era quinze anos atrás, pôde ser espontânea com o filho como nunca havia sido, pôde tratar bem empregados, pôde lutar pra ter seu marido de volta porque lembrou que o amava.

Quantas vezes não esquecemos de amar o marido com quem dividimos a vida só porque estamos ocupadas demais em ser executivas frias e poderosas? Quantas vezes deixamos de brincar, cozinhar, pôr o filho para dormir porque temos outros afazeres mais urgentes? Se nos lembrássemos dos sonhos de vida que tínhamos aos 20 e poucos anos… Tão diferente do que somos hoje aos 40… Sorrir mais, dançar mais, viajar mais, beijar mais. Chorei. Enxuguei e tô indo atrás da minha segunda chance.

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