Verão?

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Sabe aquele conceito idílico de verão? Feche os olhos e visualize. Agora guarde, bem guardadinho, garanto que um dia você poderá precisar dele.

Esse ano fizemos nossas férias de verão bem cedo: era tanta a vontade de escapar para o sol, que dois dias depois da chegada de meu pai aqui em Londres já voamos todos para uma linda praia na Itália. Exatamente esse lugar aí que você viu quando fechou os olhos. Férias espetaculares que ainda hei de contar e mostrar para vocês.

Como Lucca estuda em uma escola internacional, o calendário dele é diferente do das crianças inglesas. Quando voltamos, felizes e bronzeados, as férias escolares inglesas estavam apenas começando, e agora foram eles que correram daqui para o sol.

Acontece que, é verão em Londres, só que não. Nas últimas duas semanas , tivemos temperaturas médias entre 16 e 18 graus, muita chuva, umidade.

 

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Vista de onde escrevo este post agora.

O problema maior nem é o tempo lá fora. É pensar que daqui a bem pouco tempo, nem a esperança de que dias melhores virão poderemos ter . Aí a possibilidade de escapar para outro lugar com sol por perto… acabou . O verão tem prazo curto de validade na Europa. Minha aflição só aumenta com as vitrines de todas as lojas anunciando a nova estação: casacos, botas, calças de tecidos grossos, capas de chuva, galochas. SOCORRO!!!

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“Simples , então fujamos ,afinal ainda estamos em férias. Vamos para algum lugar com sol , há 2 horas de distância?”  É quando a pessoa se dá conta de que isso aqui é uma ilha , e para sair da ilha precisa de avião, barco ou trem. A essa altura o problema se torna o custo, porque todos os habitantes da ilha se sentem no direito de também ter um pouco de sol nessa época do ano. “ Justo, direitos iguais”. Lindo discurso… pero no mucho. Deixando o lado politicamente correto de lado,  não é bem assim, eles não são bichos tropicais , nasceram e cresceram nesse esquema, não precisam de sol e praia para sobreviver um ano aqui. Nós sim.

Qual a solução? Tentar  fazer a limonada do limão. Aproveitar todas as oportunidades culturais e de aprendizagem que a cidade oferece. “OK.”

Claquete. Entra um outro capítulo da novela: o do convencimento ao filho de 12 anos  de que a exposição vai ser super legal; de que a aula de culinária vai ser divertida; de que o cinema é bacana; de que o sol que vai durar duas horas no parque vai valer a vitamina D acumulada; de que o teatro vai ser ótimo. Haja discurso e argumento. Antes mesmo de começar o programa já tem um cansaço da dura fase de convencimento.

Tá bom, “vamos tentar uma promoção” , chamar amiguinhos para fazermos os programas juntos. Não tem!!!! Os amiguinhos, garotos espertos de verões Londrinos passados, saem daqui quando começam as férias escolares e só voltam quando iniciam as aulas.

O jeito é relaxar e tentar aproveitar o que temos, que aqui para nós não é nada mal, mas que teremos que nos acostumar com esse novo conceito de verão. Tudo é aprendizagem, e para aprender temos que desconstruir para voltar a construir o novo. Ainda estamos na fase da desconstrução. Porém, já posso imaginar quantos novos verões vão caber na nossa próxima temporada.

 

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