Irmãos, ciúmes e amor: como lidar?

Bloodline é uma série do Netflix sobre uma complicada e comum família americana, foi lançada em março, mas estamos assistindo só agora. Num enredo super thriller, o que mais me salta aos olhos são as relações complexas entre os quatro irmãos. Em especial, os ciúmes nutridos desde a infância pela atenção bem demais ou bem de menos de um dos pais.

Helena, Lucas e Danilo sentem ciúmes uns dos outros.

Nas duas semanas de julho em que estiveram juntos de novo por mais tempo, tive que lidar bastante com essas situações de crise de atenção dos três. Talvez porque hoje os meninos estejam com mãe de menos e ela com mãe demais na rotina diária? Pode ser. Mas mesmo quando estávamos morando todos juntos, o ciúme já era presente no nosso dia a dia.

Nesses três meses de Campinas, Helena virou filha única de vez. Ficar só comigo e com o pai, situação que acontecia de 15 em 15 dias, agora é permanente e ainda ganhou a presença da avó. Os irmãos só reaparecem no cenário a cada 15 dias. E nesses fins de semana em que nos reencontramos fica evidente a disputa por espaço e atenção de todos os lados. Mas, nas férias, a coisa ficou mais séria.

Duas semanas antes de eles chegarem, quando ainda estávamos nos preparativos e planos, ela já derramou algumas lágrimas acusando que não iríamos dar atenção exclusiva a ela. Na véspera da chegada deles, estávamos no carro e ela me perguntou quando poderia andar no banco do carona ao meu lado. Ao ouvir que só com 10 anos, ela respondeu: “Legal, aí os garotos vão ser bem grandes e você vai esquecer deles, né”?

Do outro lado, não é muito diferente. Lucas está sempre grudado do meu lado e provocando ela com isso. Faz sempre um longo questionário sobre o que fizemos, o que mudou na sua ausência.

E mesmo Danilo, com quase 18 anos, também dá sinais de seu incômodo com o espaço ocupado pelos dois menores. Quando Lucas chegou, ele, com quase cinco anos, também sentiu e sofreu bastante.

Fico me perguntando qual é minha contribuição negativa para que isso seja tão difícil de administrar por eles. O que ficou/fica faltando? Por que não conseguem ter a segurança de que a mãe é de todos e que podem contar com ela ao mesmo tempo ou em separado? Terá sido a diferença de idade grande? Três filhos quase únicos e com relações totalmente diferentes comigo? Dou sinais de preferência? Mas as relações não são mesmo diferentes e únicas?

Não abomino o ciúme por completo, sou ciumenta também. Acho que, numa dose pequena, pode até ser saudável. Mas não me agrada nem um pouco ver essas disputas entre eles. Além de cansativo, para eles e para mim, é tempo que perdemos. E hoje nosso tempo é líquido e precioso. Vou tentando lidar com mais atenção, afeto e carinho para todos, ao mesmo tempo e em separado. Evito fazer comparações, tento respeitar as diferenças e individualidades, enxergar e valorizar as ligações diferentes que temos. Aposto no amor. Mas sempre fico me perguntando o que mais posso fazer, qual caminho seguir para ajudá-los a construir uma relação de amizade e confiança. Sem pesos, nem culpa. Mas reconheço e sei como é difícil e complicado.

Comentários

  1. amiga, não tem jeito, nem remédio. eu era filha única e vivia disputando a atenção com minha prima. vejo isso repetidamente acontecer com as minhas filhas. é muito difícil termos consciência do quanto somos seres únicos e ao mesmo tempo somos tão inseguros que queremos sempre as demonstrações de que, efetivamente, somos únicos. bjus

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