Ano novo, novas metas

Jaqueline Travaglin é uma das muitas mães que acompanham nosso blog. Hoje ela compartilha com a gente sua experiência e deixa um lindo recado para todos nós, mães e pais nesses mundo pós-tudo.

Sou nascida na ZL de São Paulo, filha de Costureira/Bordadeira, caçula de quatro irmãos, origem pobre, estudei em colégio estadual a vida toda, fiz faculdade vendendo o almoço para pagar a cerveja do jantar (como a grande maioria), mas com dois objetivos: ser alguém independente e ajudar em casa, obrigação imposta primeiro por mim e segundo pela realidade e necessidade de ajudar minha mãe e colaborar com meus irmãos, que estavam na mesma pegada que eu.

Assim que dei meus primeiros passos profissionais, já na minha área, percebi que conseguiria aumentar a minha meta e lá fui eu dividir apartamento, com as melhores pessoas que o mundo poderia colocar no meu caminho. Ali aprendi o que era amor de amigo da forma mais bonita e com humor.

Passou o tempo, e novamente percebi que a meta poderia mudar. Pronto casei… …passaram três ou quatro anos e no mesmo momento que conquistei um cargo de Diretora eu engravidei… …Aí, passaram mais três ou quatro anos e me separei…

Pronto, a meta agora é ser a melhor mãe do mundo para o Toni (no formato mãe-pai). Para isso, eu foquei no trabalho, afinal, foi ele que me trouxe até aqui e será ele que vai me garantir essa nova meta. De fato, o trabalho me deu oportunidade de viajar com o meu filho, comprar vários presentes, colocá-lo em ótimas escolas caras. Opa, esqueci de falar que agora sou Vice-Presidente… Foda né!!! De verdade, passou tão rápido, nem vi passar. É, passou rápido mesmo.

Em outubro, dia 21, um mês exato depois do meu aniversário, meu filho vai completar 7 anos. Olho pra trás e vejo que há 7 anos, meu filho tão novo, tem a mesma rotina louca de uma mulher de 36 anos. Óbvio que isso tem suas consequências. Ele precisa fazer terapia no mesmo volume que eu desde os 4 anos, há 6 meses começou a ter acompanhamento psiquiátrico (sem remédios) por conta da ansiedade, insônia e rotina estressante de passar 10 horas por dia na escola, que os médicos deram um nome bonito de Transtorno. Afinal, se eu trabalho 10 horas ele precisa ficar na escola por 10 horas também…

O que me sobra é a Culpa, e como é um sentimento sujo normalmente queremos absorver isso o mais rápido possível, mas como, como parar, como manter um padrão e cuidar do filho sem expor ele a uma rotina de deveres e obrigações de adultos? Ok, escola não é trabalho, mas ele tem 7 e eu 36, não tem que ser mesmo. Será que babá pela manhã, mas fazer aulas extras de judô, culinária e futebol não é mais legal???

NÃO, nada disso é legal… Ele quer ser criança só isso… Ele só quer ter mais de mim… Quer meu amor e atenção de mãe e minha segurança de pai!!! Meu projeto de vida está com um risco não previsto gigante… Porque não estabeleci o meu Objetivo como mãe! Eu simplesmente encaixei meu filho na minha rotina…

Tudo isso sem perceber o que estava fazendo!

Agora, sabido isso:

– Trabalho você é importante mas me desculpa, você é só trabalho,

– Projetos sorry, vocês vão esperar mais algum tempo.

Filho meu presente de aniversário pra você:

Vou ser mais presente, vou ser mais mãe, vou ser mais parceira de brincadeiras e videogame. Aos amigos, mamães e papais de plantão #ficaadica: o tempo voa e eles crescem, e quem perde de verdade é a gente! Ame mais, brinque mais, sorria mais e desliguem os celulares e computadores quando estiverem com eles. Eles são a nossa prioridade, para eles devemos nossas melhores entregas!

Jaqueline Travaglin

1• Mãe do Antonio

2• Vice Presidente de Projetos e Operações de uma Agência de Publicidade Multinacional.

Comentar