Amizade

Ouvi a frase acima em uma música no encerramento de um camp (atividade de férias) que eles participaram por aqui.

Não sei se foram as vozes lindas das crianças cantando juntas ao redor de uma fogueira em um fim de tarde perfeito ou o fato de que íamos ao Brasil no dia seguinte, mas meus olhos se encheram de lágrimas e a música grudou na minha cabeça e me vi cantando ela a todo o momento nestes 20 dias de Brasil!

Desde de que chegamos, fomos construindo, aos poucos, algumas amizades. Começar uma amizade demanda tempo, investimento, doação e memórias. Só depois que você consegue estabelecer com aquela pessoa um pequeno conjunto de memórias é que acho que dá para chamá-la de amigo.

Tem pessoas que acgente conhece e logo vê as afinidades, aí a amizade só precisa de tempo pra se estabelecer. Outras você investe um tempão, mas por algum motivo, a ligação não se estabelece. Com outras ainda, você estabelece a conexão, algumas memórias, mas a amizade não aparece ou não continua.

A experiência de morar fora, longe dos meus “old friends”, me deixou muito mais aberta e disposta a criar amizades, porque como não tinha trabalho ou escola para me dar, naturalmente, um grupo, fazer amigos, virou uma necessidade essencial! Assim fiz amizades com pessoas que conheci no parquinho, com outras mães da escola, com vizinhos, com pessoas que frequentam a mesma igreja, com as mães da natação, com colegas de trabalho do meu marido, com pessoas pela internet… Bem como a Livia, minha amiga virtual do Mães em Rede, falou neste post aqui.

As amizades novas te desafiam, te ajudam a enxergar partes de você que não conhecia antes, transformam com sua força renovadora… Mas dão um trabalhão danado! Você tem que explicar uma parte da “missa” pra pessoa entender um pouco as suas referências e algumas vezes elas não entendem nem assim… Você tem que buscar as palavras certas porque ainda não está diante de um “bom entendedor”… E também muitas vezes você não entende as coisas porque não conhece as referências, a história, o caminho que levou a pessoa até aquele momento…

Agora os amigos antigos, aqueles que conhecem seu olhar, seu jeito, a “missa” quase toda, estes têm a capacidade de te “alimentar” apenas com a sua presença, servem como uma referência de quem somos, da nossa essência. Neste tempo no Brasil, pude sentar com muitos destes amigos e não tem coisa melhor do que a sensação de que embora faça um tempão que vocês não se vejam a conversa flui sem esforços, como se tivéssemos nos encontrado ontem. Sim, você perde alguns detalhes, já não sabe do dia a dia tão bem, mas nestas relações são as essências que se encontram, a sua, do amigo e a da amizade de vocês.

Me sinto especialmente abençoada pelos amigos antigos e novos, pela riqueza que cada um deles traz para a minha vida, com suas intervenções diárias ou esporádicas, mas sempre brilhantes e preciosos!

A música continua dizendo “the circle is round/ it has no end/ that’s how long I want to be your friend”!

Fonte da imagem: http://momokeenart.com/2014/06/24/make-new-friends-but-keep-the-old/

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