A China treme de novo

Acordo de madrugada com a Sofia ao meu lado. “Mamãe, tive um pesadelo”. E lá fui eu levá-la de volta para a cama nova, no quarto novo, ao qual ela ainda não se acostumou.

Em geral, em pouco tempo ela volta a dormir e eu também consigo retornar ao “sono dos justos”. Mas, ontem foi diferente. Depois de algum tempo, resolvo pegar o celular para checar as horas e lá estavam diversos alertas da CNN sobre a explosão que havia ocorrido em Tiajing.

Não sou mais jornalista, mas acho que o feeling nunca vai me deixar. Aquele frio na barriga, a adrenalina se espalhando pelo corpo. Em vez de tentar dormir de novo, desço e vasculho a internet. Preciso saber o que aconteceu.

Tianjin é uma cidade vibrante a apenas 160 quilômetros de Pequim. Tem grande importância histórica por ter sido sede do governo provisório durante a guerra dos Boxers. É a quinta maior cidade da China com um imenso polo industrial – quase 300 das 500 maiores empresas do mundo estão lá. Além disso, em Tianjin fica um dos portos mais movimentados do país.

Como sempre, nada é muito claro em relação ao acidente: o número de vítimas, a causa da explosão e mesmo o local. Mas, pouco depois das seis da manhã, já começo a receber mensagens de amigos ligados à embaixada americana onde o sismógrafo captou um abalo de 2.9 na escala Richter. Além disso, os números referentes a poluição estão subindo muito rápido. Ninguém sabe quais gases tóxicos foram liberados e estão vindo para Pequim carregados pelo vento.

 

Trancados em casa

Essa semana, as meninas estão frequentando a colônia de férias da embaixada americana. Por volta das 7h chega um e-mail avisando que não haverá atividades externas e que elas devem usar máscaras para ir a escola. A recomendação é para que todos fiquem em casa até que se saiba quais gases foram liberados.

Segundo a agência de notícias Xinhua, 127 especialistas estão no local avaliando a qualidade do ar. Para nós, resta esperar, torcer para que o vento mude de direção, torcer para que os resíduos químicos não sejam perigosos, torcer para que a cidade e as vítimas se recuperem logo.

Há pouco dias, outro acidente abalou o país. Um desmoronamento em uma mina deixou mais de 70 mortos em Shaanxi, no noroeste da China. É a sina de um país com crescimento econômico acelerado, que ainda não adotou a cultura de segurança no trabalho (ou no trânsito).

Para nós, resta esperar. De portas fechadas e purificador de ar ligado.

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