E o tempo passou……

Esse ano completei 10 anos de Australia, no mesmo dia em que vim para a Australia pela primeira vez, 03 de agosto de 2005, foi o mesmo dia em que voltei das minhas férias esse ano, mesmo dia, mesmo trajeto, mas com pensamentos e vida totalmente diferentes.

Quando vim para a Australia pela primeira vez, não sabia o que esperar, vim com uma bagagem cheia de medos, lotada de insegurança, e ali no fundo da mala uma pontinha de esperança misturada com curiosidade, acho que eu mesma duvidava se teria coragem de encarar uma vida longe de casa, longe da família. Mas sabia que seria uma viagem com hora pra acabar, o que me deu forças pra encarar essa experiência foi a certeza que dentro de no máximo um ano, eu estaria de volta ao conforto do meu lar. Mas destino é destino, e o meu estava aqui.

Os seis meses logo viraram um ano, dois, tres, um noivado, uma mudança de cidade, um casamento, diversas mudanças de casa, um filho, o negócio próprio, a casa própria, segundo filho, e quando vi passaram-se 10 anos, de uma vida totalmente desplanejada, mas muito planejada dentro dessa confusão toda.

Esses 10 anos não foram fácil, a decisão de morar fora inclue não só a você, inclui a sua família, sua profissão, um estilo de vida, enfim, mexe com tudo e todos ao seu redor.
São 10 anos de férias somente no Brasil, que nem sempre são férias, afinal você está voltando pra casa, mas mesmo tendo desacostumado com o trânsito, a poluição, com o barulho, não há sensação igual de voltar pra casa, e ser tratado como “rainha”, e ainda ver esse carinho extendido para seus filhos, é como ter duas casas, ou melhor três, sentir todo carinho dos que fazem questão de te ver, perceber que mesmo com o tempo, certas coisas não mudam, seus amigos de verdade, vão sempre dar um jeitinho de te ver, e que delícia ver a família crescendo.

Minha vida com certeza tomou um rumo que ninguém esperava, mas tenho certeza que era o caminho certo pelas linhas tortas.

Dia 03 de agosto de 2015 eu tive que falar tchau a minha família, de novo, e não importa quantos anos se passem, o sentimento da despedida, de ir embora é sempre muito dolorido, doí na alma, pela gente, pela família que fica, e agora pelos meus filhos, afinal agora não sou só eu, é a minha familía, são meus filhos, e ao mesmo tempo que fico feliz eu ouvir o Noah dizer: “mamãe quero voltar pro Brasil, to com saudade do Brasil”, doí saber que meu filho tão cedo tem que lidar com esse sentimento difícil e invisível que é a saudade.

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