Habituando-me

Ontem , dia 15/07, fez um ano que desembarcamos em Londres.

No último dia desse ano letivo de Lucca , logo depois da cerimônia de encerramento das aulas, eu conversava aquela conversa de antes das férias com uma das conselheiras da escola: final de primeiro ano em Londres, férias, verão feliz se anunciava, que alergia! Depois de eu contar a ela, saltitando entre sorrisos, como uma criança que estava entrando de férias, que iríamos logo logo para uma praia na Itália, ela me perguntou: “Você gosta daqui de Londres? “

Sempre foi difícil para mim responder a essa questão, e muito. Toda vez que me perguntavam , a pergunta percorria um longo caminho dentro de mim e me exigia um bom tempo para responder. Ela entrava pelos ouvidos, era engolida a seco , ia até lá no lugar do frio na barriga, voltava e batia no meio do peito que se apertava, fazia a rotatória no meu coração , que em diástole a impulsionava para o cérebro. Ali no cérebro acontecia o conflito, a verdadeira batalha: o lado racional me dava todas as boas razões para afirmar “SIM EU GOSTO!”; enquanto o lado emocional acionava o lugar da lembrança de todas as experiências calorosas vividas em outros lugares e respondia um redondo e sem nenhuma dúvida… “NO, não gosto!”. Se isso só já não bastasse as armas do lado emocional se reforçavam, ele buscava testemunhas, como a colega russa que viveu um tempo em Londres e quando se foi dali registrou: “Londres, você foi a cidade mais gelada em que vivi na minha vida”. Desculpe, mas de frio acho que os russos entendem.

De volta ao diálogo com a conselheira da escola, mulher observadora, gentil e sensível que é, ela foi capaz de perceber o que se passava comigo naqueles segundos do pinball interno que eu vivia provocado pela sua pergunta . Então, resolveu por si só que iria me confortar:

– Eu sei o que você sente. Você está “getting used to London”. Eu levei bastante tempo também.

Aquilo foi como um abraço, uma acolhida. E no fundo, bem lá no fundo, um alívio por achar um lugar cômodo para aquilo que sinto da cidade onde vivo.

Próximo ano letivo quero estar mais próxima dessa conselheira, e com certeza vou fazê-la saber da gratidão que sinto a ela por poder agora dizer: “Eu estou me habituando a Londres. “

Sim, ainda. And it is all right.

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