Nosso caminho para a adoção

Ainda para lembrar do Dia Nacional da Adoção aqui no Brasil pedimos um texto para uma amiga do blog, Josina Saraiva Munk, que está na “gestação” de seu processo de adoção: acaba de receber com seu marido o certificado de habilitação ao cadastro nacional. Ela conta um pouco sobre sua experiência nos últimos anos e suas expectativas nesse momento.

Oi, pessoal. Sou Josina e venho contar um pouquinho da nossa história, minha e de Marcel, sobre a decisão de adotar. Nos conhecemos há 10 anos, estamos juntos há oito e começamos a tentar engravidar há seis. Inicialmente, não nos preocupamos em procurar ajuda médica, simplesmente não acontecia e íamos vivendo. Depois de algum tempo, resolvi ir ao ginecologista e ele me passou alguns exames.

Nesse meio tempo, Marcel foi transferido para Salvador, e assim nos mudamos. Lá, fiz alguns exames, mas um procedimento em particular não conseguia marcar. Aproveitando uma ida ao Rio, marquei o procedimento, que na realidade é uma pequena cirurgia. Neste procedimento, foi retirado um pólipo do endométrio. O material seguiu para biópsia. O resultado da biopsia chegou a mim através de um telefonema do meu próprio ginecologista, dizendo que precisaria voltar ao Rio para realizar um tratamento.

Chegando ao Rio, fui informada do resultado: câncer – adenocarcinoma de endométrio. A partir deste diagnóstico, realizei mais alguns exames e visitei alguns especialistas. Um dos médicos me assustou, dizendo que teria de retirar útero e ovários o mais rápido possível. Felizmente, em visita a outros especialistas e outras opções dadas, resolvemos pelo tratamento medicamentoso, com hormônios. Este tratamento não nos dava garantia de sucesso. Na realidade, meu ginecologista e a cirurgiã que me acompanhava, pois fiz mais algumas cirurgias durante o tratamento, achavam que ao final de tudo as chances de cura não eram tão promissoras.

Foi um ano e meio de tratamento, com idas e vindas Salvador-Rio, mas, graças a Deus, ao final eu estava curada. Permaneci com meu útero e com a seguinte ordem: – “Vá, faça o tratamento para engravidar, tenha sua prole e depois retire o útero. Seu tumor foi hormônio-dependente, pode voltar.”

E para quem possa achar que o tumor era impeditivo para engravidar, se enganou. Se eu engravidasse, funcionaria ainda como um tratamento, por conta do hormônio progesterona da gravidez.

Bem, passado o susto e o stress com este problema, Marcel apresentou crises de soluço recorrentes, tendo por isso que passar por uma intervenção cirúrgica. Foi uma época bem complicada pra gente.

Em 2012, voltamos pro Rio. Começamos então a fazer o tratamento de fertilização. Após os exames realizados, o medico nos informou que não tínhamos problema algum que fosse impeditivo para engravidar, mas que por conta da minha idade, 39 anos, a melhor opção seria a fertilização. Fizemos todo o procedimento duas vezes e nada, uma situação extremamente frustrante. Fiquei muito mal, chorei horrores.

Mas passando por tudo isso também percebemos que não estamos sozinhos nessa busca. A grande quantidade de pessoas tentando ter seus filhos, seja por meio de fertilização, seja por meio da adoção, tanto na clínica, quanto na vara da infância, foi uma situação semelhante que vivenciamos. Ambas estavam cheias de casais e solteiros nessa busca.

A adoção pra mim era algo antigo, guardado no peito, esperando a oportunidade e a pessoa certa para ser compartilhada. Para Marcel, ela ainda não existia, mas por conta da nossa dificuldade de gerar filhos e por um desejo enorme de tê-los e completar a nossa família, ele abraçou a causa comigo.

Iniciamos nosso processo em agosto de 2013, com a reunião informativa. Mas só conseguimos nos inscrever nas outras três reuniões seguintes, que fazem parte do processo, seis meses depois em  janeiro, fevereiro e março de 2014. Após as reuniões, reunimos todos os documentos necessários, inclusive certidões negativas, e encaminhamos ao cartório para dar início ao processo em si. Só a partir deste ponto, o processo caminha: juiz, Ministério Público, equipe técnica. Realizamos entrevistas com psicólogo e assistente social, além de recebermos uma visita domiciliar. Por algumas vezes fui ao cartório pedir pelo andamento do processo, pois ao verificar pela internet, víamos que estava parado há mais de dez dias no cartório. Com isso, dava-se andamento novamente. E, finalmente, agora, em abril de 2015, pegamos nosso certificado de habilitação para adoção. Não constituímos advogado para o processo.

Antes mesmo de finalizarmos o cadastro, tivemos duas oportunidades de adoções “não-convencionais”, mães que queriam dar seus filhos sem nenhuma preocupação legal. Ficamos extremamente tensos e ansiosos, especialmente na primeira vez, quando tudo parecia dar tão certo. Após consulta a advogados, vimos que isso poderia se transformar numa grande dor de cabeça. Esta fase foi muito difícil, já havíamos conseguido berço, carrinho, comprado algumas roupas, que ao final foram enviadas para a mãe do bebê. A sensação de perda foi muito semelhante aos meus testes de gravidez negativos durante o processo de fertilização, porém agravados, pois chegamos a conhecer os bebês.

Então decidimos continuar no nosso processo de habilitação e aguardar as vias formais. Agora estamos na fila do Cadastro Nacional de Adoção, aguardando sermos chamados.

O quarto do bebê está escolhido, mas sem os móveis ainda. Decidimos fazer assim para não gerar mais ansiedade e frustração, que é algo que aprendemos que é extremamente importante dosar durante esta gestação, até porque não escolhemos o sexo do nosso filho.

Apesar de continuar procurando em abrigos, estamos mais tolerantes, um pouco mais tranquilos, se é que isto é possível, nesta busca. Acho que isso vem da aceitação de que por mais força que façamos, o resultado parece não se importar com isso.

É muito importante compartilhar, até para as pessoas que passaram por algum problema saberem que não estão sozinhas, que outros casais também passaram por situações difíceis. A vida é bem assim mesmo, esquenta, esfria, mas quer da gente é coragem… Mesmo que fiquemos com o coração apertado… E realmente o tempo não é nosso, esse também foi um grande aprendizado…!

Mas estamos aí, esperando nosso filhote!!!

Josina, Junho de 2015

josina

Comentários

  1. linda a história de vcs! tenho certeza q este bebê está só a espera de vcs. Muito amor e paciência para esta família que já já vai ganhar mais um membro.

  2. Depoimento emocionante. Com tanto amor no coração para dar, com certeza a vida ainda vai abençoar vocês!!!! Na torcida sempre!!! Bjs

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